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Facebook está 'bem mais preparado' para cuidar das eleições, diz Zuckerberg

Presidente executivo da rede social assinou texto explicando medidas da empresa para lutar contra interferências nos pleitos americano e brasileiro, entre outros

13 set 2018
11h35
atualizado às 13h56
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Mark Zuckerberg começou o ano de 2018 prometendo que faria do Facebook um lugar mais seguro - ao menos no que diz respeito à interferência nas eleições em todo o mundo. Ele passou o resto do ano pedindo desculpas por não ter reconhecido antes que este era um problema grave.

Nesta quinta-feira, 13, o presidente executivo do Facebook publicou um texto de mais de 3 mil palavras catalogando todos os passos que a empresa tomou nesse sentido. "Em 2016, não estávamos preparando para a campanha coordenada de interferência que enfrentamos", disse ele, fazendo alusão à interferência russa na eleição presidencial americana. "Mas aprendemos muito desde então e desenvolvemos sistemas sofisticados que combinam esforços humanos e tecnológicos para prevenir esses problemas nos nossos serviços."

"Hoje, o Facebook está bem mais preparado para lidar com esse tipo de ataques", acrescentou ainda o executivo. De forma pouco usual, o texto é uma resposta de diversas formas à escalada de críticas que a empresa sofreu nos últimos anos. Além disso, reflete como Zuckerberg pôs sua reputação à prova, depois que sua plataforma se tornou um espaço para desinformação, notícias falsas e ideias polarizadoras. Normalmente, Zuckerberg publica seus textos em sua própria página no Facebook. Desta vez, no entanto, ele usou um espaço da empresa, o blog oficial.

Em abril, Zuckerberg teve de testemunhar por mais de dez horas no Congresso americano sobre a manipulação russa dentro do Facebook na eleição de 2016, se defendendo de perguntas e acusações dos legisladores. Desde então, ele e sua empresa tem buscado publicar relatórios e realizar campanhas contra a desinformação em diversos países que se encontram em períodos eleitorais, como Índia e México. Na semana passada, sua número 2, a diretora de operações Sheryl Sandberg, foi ao Congresso para falar sobre interferência estrangeira na rede social.

Hoje, o Facebook enfrenta diversos testes se pode detectar e parar interferências nas eleições. A rede social se encontra atualmente sob escrutínio público em seu papel nas eleições presidenciais que acontecem no Brasil em outubro, além do pleito legislativo que acontecerá nos Estados Unidos, em novembro.

Proativo. Desde novembro de 2016, Zuckerberg tem tentado ser menos defensivo e evasivo e tomado as rédeas de seu papel e da influência do Facebook no mundo. Com a mudança, a empresa lançou ferramentas e práticas para tentar reduzir os problemas.

Entre os esforços, há a presença de algoritmos para encontrar e remover contas falsas ou sistemas que reduzam o alcance de publicações feitas por páginas que promovam descaradamente a desinformação. Nesta quinta-feira, 13, Zuckerberg escreveu ainda que o Facebook está contratando 10 mil pessoas para trabalhar em questões de segurança, ao mesmo tempo que melhora sua coordenação com autoridades regulatórias e outras empresas para detectar atividades suspeitas.

Ele também descreveu como o Facebook criou um programa que convida acadêmicos para estudar o impacto das redes sociais nas eleições, parte de uma abordagem mais aberta e colaborativa que a empresa começou a ter nos últimos meses. Há ainda iniciativas como relatórios de transparência, que documentam o número de contas falsas excluídas pela plataforma duas vezes ao ano.

Um dos esforços mais interessantes do Facebook é a nova regulamentação que pede que usuários que comprem anúncios com fins políticos tenham de ser identificados como cidadãos ou residentes em estado permanente de um país, em uma tentativa de reduzir a influência externa - na eleição de 2016, russos compraram centenas de anúncios no Facebook para espalhar mensagens inflamadas entre o eleitorado americano. Além disso, a empresa também criou a Biblioteca de Anúncios, que permite que os usuários verifiquem todos os anúncios políticos publicados na rede social.

Nos últimos meses, o Facebook também disse ter removido 32 páginas e contas falsas envolvidas em uma campanha para influenciar as eleições americanas. É algo comum: aconteceu também na França e no Brasil, onde mais de 200 páginas, a maioria delas ligadas à movimentos de direita, também foram removidas.

Mas Zuckerberg também disse que as ações do Facebook são parte de uma guerra de informação digital, uma "corrida armamentista" contra aqueles que investem em caos social, especialmente em uma rede de 2,2 bilhões de usuários.

"Fizemos progresso, mas temos adversários bem financiados e com ferramentas sofisticadas", disse Zuckerberg. "Eles não vão desistir e continuarão a evoluir. Precisamos melhorar e nos manter um passo à frente."

Um dos principais desafios do Facebook, porém, é como coordenar campanhas contra a desinformação, sem, por outro lado, se tornar o dono da verdade. A empresa tem sofrido bastante para não aparecer como enviesada em qualquer dos lados do espectro político - nos EUA, já teve de ser chamada perante o Congresso para afirmar que não era "de esquerda" e atacava o discurso conservador de deputados republicanos.

No entanto, talvez a mensagem mais forte do manifesto de Zuckerberg desta semana é a de que não cabe só ao Facebook lutar contra a desinformação. Muitas campanhas acontecem ao longo de diversas plataformas, como Twitter, Reddit e Instagram. Em seu texto, Zuckerberg disse que as empresas precisam se unir para trocar informações e entender melhor o escopo dos ataques.

Ele apontou ainda que é necessária uma cooperação entre sua empresa e as agências de inteligência americanas - algo que já havia feito em um artigo opinativo publicado na última semana no Washington Post.

"Estamos juntos nessa situação", escreveu ele nesta semana. "A definição de sucesso será quando conseguirmos parar ciberataques e operações de influência coordenadas, porque são coisas que podem causar danos. Enquanto eu prefiro que o Facebook seja sempre o primeiro a identificar os abusos, nem sempre isso será possível. Precisamos melhorar e trabalhar juntos para nos manter à frente das ameaças." / TRADUÇÃO DE BRUNO CAPELAS

Estadão Conteúdo

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