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Facebook diz que precisa dar mais prioridade aos casos de uso político do WhatsApp

Encontro em Londres teve 22 parlamentares de diferentes países, incluindo o Brasil

27 nov 2018
12h53
atualizado às 13h23
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O Facebook ainda não deu a prioridade devida ao uso político do WhatsApp. Durante a sabatina do comitê parlamentar internacional ocorrida nesta terça, 27, em Londres, Richard Allan, vice-presidente de soluções políticas do Facebook disse que a empresa precisar dar mais prioridade ao uso do WhatsApp como ferramenta de propaganda política.

O executivo disse que o WhatsApp está no processo de ser integrado à força tarefa de proteção a eleições. Allan foi questionado sobre o papel do mensageiro pelo parlamentar argentino Leopoldo Moreau, que demonstrou preocupação pelas eleições locais que se aproximam. Em seguida, o deputado federal Alessandro Molon (PSB), representante brasileiro na sabatina, também questionou o representante do Facebook sobre o mesmo assunto. E recebeu resposta parecida: "Estamos anexando o WhatsApp na nossa força de integridade. É particularmente relevante em países como Brasil e Índia e acho que precisamos de uma discussão aberta com legisladores sobre isso".

Allan também falou que o uso político do WhatsApp deixa abertas algumas questões. "Há bem diferente entre regulação que afeta o espaço público e regular conversas privadas individuais, ou até conversas em pequenos grupos. Mas não queremos ver nenhum de nossos serviços usados para manipular comportamento. Assim, não geramos confiança".

A sabatina, liderada pelo Comitê de Assuntos Digitais, Cultura, Mídia e Esportes do governo britânico (DCMS, na sigla em inglês), visava esclarecer a circulação de notícias falsas e desinformação na rede social. A ideia inicial dos parlamentares era sabatinar o próprio Mark Zuckerberg, fundador da companhia. Ele, porém, declinou o convite em ao menos duas ocasiões. Uma cadeira reservada a Zuckerberg ficou vázia durante a audiência. Pariticparam parlamentares de oito países (Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Irlanda, Letônia, Singapura e Reino Unido).

Mais WhatsApp

O parlamentar argentino pressionou Allan sobre o app de mensagens e perguntou como o Facebook planeja evitar a proliferação de notícias falsas no WhatsApp. O executivo disse que o app não foi criado para o envio de mensagens em massa, e que esse tipo de spam viola os termos de uso.

Moureau rebateu e disse que não apenas o app foi usado dessa forma no Brasil, como empresas "questionáveis" já estam em contato com partidos argentinos para oferecer serviços do tipo. Allan respondeu dizendo que se alguém tiver conhecimento dessas empresas, que leve isso até o Facebook para que as medidas cabíveis sejam tomadas.

Rotina 

Prestar esclarecimentos para autoridades virou uma especialidade do Facebook no ano. Após o escândalo da Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg encarou 10 horas de audiência com congressistas americanos no último mês de abril - cinco horas de sabatina no Senado e cinco horas num comitê do Congresso. Em maio, foi a vez do parlamento britânico ouvir o executivo.

Ano difícil 

O Facebook vive um ano para esquecer: em março, veio a público o caso Cambridge Analytica, no qual os dados de 87 milhões de pessoas foram usados indevidamente para a personalização de propaganda política durante as eleições presidenciais dos EUA em 2016 e durante o processo do Brexit.

Em 26 de julho, a empresa registrou a maior perda na bolsa da história de uma única empresa em um único dia. A empresa perdeu US$ 121 bilhões. Os investidores avaliaram que a companhia não tinha mais margem de crescimento. Desde então, os papéis da empresa estão em movimento de baixa.

No começo de novembro, outra bomba. Uma reportagem do New York Times mostrou que a empresa demorou a agir para deter a influência russa na eleição americana. Pior: contratou a empresa de marketing político Definers Public Affairs para espalhar mentiras sobre os críticos da empresa e promover notícias negativas sobre os concorrentes.

Estadão

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