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Entenda o que causou o apagão global em sites e serviços

O problema ocorreu nesta terça-feira e deixou sites sem acesso em todo o mundo

9 jun 2021 16h42
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Nesta terça-feira, 8, o acesso de alguns dos principais sites do mundo foi prejudicado por um problema de servidor que atingiu a Fastly, uma empresa de distribuição de conteúdo de rede. O erro atingiu domínios como New York Times, Amazon, Spotify, Reddit, entre outros, e afetou cidades de todos os continentes — talvez até você tenha percebido. Mas como funciona a Fastly e porque os servidores pararam de funcionar? A resposta passa por algo chamado Content Delivery Network (CDN).

As CDNs são redes que conectam o conteúdo de sites, como vídeos, textos e fotos, a outros servidores espalhados em diferentes regiões do mundo para que possam ser distribuídos localmente. Elas são necessárias porque os muitos sites e serviços, como os que foram afetados na falha desta terça-feira, não costumam possuir servidores em mais de um local.

O que a CDN faz é pegar uma "cópia" do conteúdo desse servidor e enviar para diversas redes espalhadas pelo mundo, que podem continuar fazendo "cópias" até atingirem vários pontos de acesso dentro de um mesmo país ou cidade.

"Se você vai acessar um site americano e você está no Brasil, a sua rede de internet não vai até os Estados Unidos buscar o conteúdo: uma empresa já pegou esse conteúdo e deixou ele em algum servidor que está, por exemplo, em São Paulo, mais perto do usuário brasileiro", explica Daniel Batista, professor do Instituto de Matemática e estatística da USP.

É como uma cascata: o seu serviço de streaming envia um filme para a CDN, a CDN envia o mesmo filme para um servidor em São Paulo e você assiste a partir deste servidor próximo a você. Isso gera rapidez para carregar o filme, qualidade de transmissão e evita a sobrecarga daquele primeiro servidor, que certamente não aguentaria o mundo inteiro assistindo esse mesmo filme a partir dele.

Porque as empresas utilizam redes CDN?

A contratação de uma empresa que opera como CDN, como a Fastly, é comum em grandes produtoras de conteúdo justamente para facilitar e garantir o acesso em vários países — e , com isso, a potencial comercialização desses serviços. Como a CDN garante a qualidade da transmissão, das imagens e do carregamento das páginas, é uma opção de viabilizar que os usuários tenham acesso às plataformas onde quer que estejam.

O recurso também funciona porque as empresas de CDN têm seus próprios serviços terceirizados em cada país. As redes, nesse caso, podem passar por ainda mais servidores, a depender de como a distribuição é feita nas regiões.

Elas, porém, não são livres de falhas, como foi possível observar nesta terça-feira. Segundo Rodrigo Izidoro, professor de ciências da computação do Centro Universitário FEI, como todo servidor de internet, esses sistemas também estão passíveis de falhar.

"Uma rede desse tipo, como outros serviços que hoje temos online, pode cair por vários motivos. Problema na infraestrutura, problemas no servidor ou mesmo ataques. Além disso, a possibilidade de um excesso de carga de trabalho nos servidores pode acontecer. Nesse contexto, o servidor pode ter recebido muitas solicitações, mais do que ele consegue aguentar".

Fastly presta esclarecimentos

No caso da Fastly, a falha ocorreu em um software, que foi acionado quando um de seus clientes alterou suas configurações. O apagão levantou questões sobre quanto a internet depende de algumas empresas de infraestrutura.

"Esta interrupção foi ampla e severa, e realmente lamentamos o impacto para nossos clientes e todos que dependem deles", disse a empresa em um blog de Nick Rockwell, seu executivo sênior de engenharia e infraestrutura, nesta quarta-feira, 9.

A Fastly prometeu, ainda, explicar por que não conseguiu detectar o bug de software durante seu próprio processo de testes. A empresa disse que o problema estava em uma atualização de software enviada aos clientes em 12 de maio, mas não foi acionado até que um cliente não identificado realizou as alterações nas configurações, que desencadearam o problema. Segundo a empresa, isso "fez com que 85% de nossa rede apresentasse erros"./COM REUTERS

Estadão
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