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Em meio à pandemia, Amazon tem maior lucro trimestral da história

Companhia gastou US$ 4 bi com medidas de segurança por coronavírus e, ainda assim, conseguiu ganhar US$ 5,2 bi; desde início do ano, empresa se valorizou em mais de 60%, enquanto seu fundador se isolou na lista dos mais ricos do mundo

30 jul 2020
18h24
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A varejista americana Amazon anunciou nesta quinta-feira, 30, que teve seu maior lucro trimestral da história no intervalo entre abril e junho de 2020. A empresa ganhou US$ 5,2 bilhões no segundo trimestre - é o maior lucro da companhia, fundada há 26 anos por Jeff Bezos em Seattle. O feito demonstra o quanto a empresa está sendo beneficiada pelo período de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus, com mais pessoas confiando no comércio eletrônico para comprar produtos sem precisar sair de casa.

Enquanto lojas tradicionais tiveram de fechar as portas por conta da quarentena, a empresa contratou cerca de 175 mil pessoas e viu a demanda por seus produtos crescerem. A receita subiu 40% na comparação com o mesmo período de 2019, indo para a casa de US$ 88,9 bilhões. Com os bons números, as ações da Amazon subiram cerca de 5% após o fechamento do mercado nos EUA - com a valorização, a empresa está avaliada em torno de US$ 1,56 trilhão.

O lucro da empresa surpreende ainda mais porque a companhia havia anunciado que pretendia gastar US$ 4 bilhões com medidas de segurança para seus funcionários e entregas por conta do novo coronavírus. O valor foi gasto na íntegra e ainda assim a empresa conseguiu dobrar seu lucro na comparação com o 2º tri de 2019. Em documento enviado a acionistas, Jeff Bezos, presidente executivo da empresa, disse que este foi "outro trimestre bem pouco usual".

Ao longo de 2020, as ações da Amazon acumulam alta de mais de 60%, enquanto seu fundador se isolou no topo da lista de homens mais ricos do mundo, com fortuna acima dos US$ 180 bilhões. Outro fator que animou o mercado é a previsão da empresa para sua receita durante o terceiro trimestre. A previsão do mercado é de que a receita esperada para o intervalo entre julho e setembro seria de US$ 86,3 bilhões, mas a Amazon espera faturar algo entre US$ 87 bilhões e US$ 93 bilhões no período.

Área que também tem forte peso nos negócios da empresa, a divisão de computação em nuvem Amazon Web Services também teve bom desempenho no 2º trimestre, com receita de US$ 10,8 bilhões, em alta de 29%. O segmento foi bastante demandado por companhias que tiveram de mandar seus funcionários trabalharem de casa durante a pandemia.

Dominância

Analista da Investing.com, Jesse Cohen disse à Reuters que o modelo de negócios da Amazon "posiciona a empresa perfeitamente para expandir ainda mais sua dominância global enquanto a pandemia persiste".

É algo que chama a atenção não só do mercado, mas de Washington - ontem, Bezos fez sua estreia em depoimentos no Congresso dos EUA, em sessão que faz parte de investigação da Câmara dos Deputados sobre o poder das gigantes de tecnologia nos EUA. Por diversas vezes, o fato de que as empresas (em grupo que inclui também Google, Facebook e Apple) estão crescendo em meio à pandemia foi citado pelos deputados como um motivo de atenção.

"Todas essas empresas são muito poderosas. Algumas precisam ser quebradas e outras, melhor reguladas. Seu monopólio deve acabar", disse o presidente da sessão, o deputado democrata David Cicilline, ao final de quase seis horas de falas.

Durante a sessão, a Amazon foi acusada de usar dados de parceiros que usam sua plataforma para determinar que tipo de produtos a gigante deve desenvolver. Jeff Bezos disse que a empresa tem uma política para prevenir isso, mas não pode garantir à deputada democrata Pramila Jayapal que "a prática nunca tenha sido violada." / COM REUTERS

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Estadão
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