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Dólar digital: EUA discutem como manter "papel internacional dominante"

Federal Reserve dos EUA divulga estudo sobre a viabilidade do dólar digital; artigo lista prós e contras e destaca intenção de manter a soberania monetária americana

24 jan 2022 20h50
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O banco central dos Estados Unidos (Fed) divulgou na semana passada o seu tão esperado estudo sobre o dólar digital. No documento, o Federal Reserve descreve os prós e contras de uma CBDC (moeda digital do banco central) americana e abre a discussão para todas as partes interessadas, solicitando comentários públicos sobre o projeto. Segundo a entidade, o governo busca manter o "papel internacional dominante" do dólar.

Bitcoin e dólar americano
Bitcoin e dólar americano
Foto: David McBee/Pexels / Tecnoblog

O estudo deveria ter sido publicado na metade de 2021, mas foi adiado, sendo divulgado somente na última quinta-feira (20). O artigo de quarenta páginas foi anunciado como "o primeiro passo para uma discussão pública entre o Federal Reserve e as partes interessadas sobre as moedas digitais do banco central". No entanto, o documento evita qualquer conclusão sobre a viabilidade de uma possível CBDC americana.

Fed não tira conclusões sobre dólar digital

Em vez disso, o Fed buscou fornecer uma visão ampla de todos os possíveis benefícios desse projeto, como acelerar o sistema de pagamentos eletrônicos em um momento em que as transações financeiras em todo o mundo já são altamente digitalizadas. Algumas das questões negativas que o relatório discute são os riscos para a estabilidade financeira e a proteção de dados e privacidade, dificultada por mecanismos que visam a proteção contra fraudes e outros crimes financeiros.

"Uma CBDC poderia mudar fundamentalmente a estrutura do sistema financeiro dos EUA, alterando os papéis e responsabilidades do setor privado e do banco central", diz o relatório. O presidente do Fed, Jerome Powell, tem sido amplamente evasivo em seus comentários públicos sobre o dólar digital. Várias outras autoridades expressaram ceticismo em relação ao projeto, dizendo que os benefícios não são óbvios.

"A análise inicial do Fed sugere que uma potencial CBDC dos EUA, se for criada, atenderia melhor às necessidades dos Estados Unidos por ser protegida pela privacidade, intermediada, amplamente transferível e verificada pela identidade".

Federal Reserve em estudo sobre dólar digital

Um dos benefícios mais notados é a velocidade de um sistema controlado pelo Fed no caso de uma necessidade, como o início da pandemia de Covid-19, de enviar pagamentos de políticas sociais às pessoas mais rapidamente. A prestação de serviços financeiros aos não bancarizados também foi citada como um ponto positivo.

Uma diferença primária entre o projeto do dólar digital e outras formas de transações digitais é que o dinheiro digital atual é um passivo dos bancos comerciais, enquanto a CBDC seria um passivo diretamente Fed. Entre outras coisas, isso significaria que o banco central dos EUA não pagaria juros sobre o dinheiro armazenado, embora, pelas dúvidas de segurança, alguns depositantes possam preferir manter seu dinheiro no banco central.

EUA quer manter soberania monetária

China tem yuan digital operando e é líder no desenvolvimento de uma CBDC
China tem yuan digital operando e é líder no desenvolvimento de uma CBDC
Foto: Adrian Korte/Flickr / Tecnoblog

O governo americano também destacou que procura continuar apoiando "o papel internacional dominante do dólar americano", como diz no artigo. Essa preocupação é, em parte, movida pelo temor do yuan digital tomar a soberania monetária da moeda digital americana.

Segundo defensores do dólar digital, o atraso do Fed na implementação de uma moeda do banco central o colocará atrás dos concorrentes globais, especificamente da China, que já possui sua própria CBDC operando no país.

O documento também lista 22 itens diferentes para os quais está solicitando feedback público. Haverá um período de comentários de 120 dias. Por fim, o Fed afirmou que não prosseguirá sem um aval claro do Congresso, preferencialmente na forma de "uma lei autorizativa específica".

Com informações: CNBC, Bloomberg

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