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COVID-19: App da USP chega a hospitais para calcular chances de óbito

App de pesquisadores da USP é capaz de prever se paciente com COVID-19 pode piorar e necessitar de ventilação mecânica por meio do teste de RT-PCR

26 out 2021 21h20
| atualizado em 27/10/2021 às 12h59
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A Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um aplicativo que calcula chances de piora no quadro de pacientes que contraíram a COVID-19. Ele vai começar a ser testado nas próximas semanas por 85 médicos de 14 hospitais de todo o Brasil. A ferramenta possui um algoritmo que usa dados dos testes para SARS-CoV-2 feitos pelo paciente, oferecendo informações que são capazes de auxiliarem os médicos nos cuidados médicos.

Aplicativo vai usar dados de teste PCR para COVID-19
Aplicativo vai usar dados de teste PCR para COVID-19
Foto: Prefeitura de Itapevi/ Flickr / Tecnoblog

RandomIA, da USP, prevê piora no quadro de COVID-19

A plataforma se chama RandomIA. O teste com o app que prevê evolução do quadro infeccioso de pacientes com COVID-19 será feito em uma pesquisa coordenada realizada pela Faculdade de Saúde Pública (FSP), da USP. O app é capaz de antecipar possíveis casos de infecção, internação e morte nos hospitais brasileiros.

No momento, os pesquisadores estão avaliando o ajuste do RandomIA de acordo com as necessidades de cada profissional de saúde, para que os testes usem as informações clínicas de cada paciente.

Ao Jornal da USP, o professor da FSP que lidera as pesquisas de teste do app, Alexandre Chieavegatto Filho, diz que o aplicativo permite a inclusão de qualquer sistema de inteligência artificial. Os primeiros testes serão com softwares que reúnem dados de COVID-19.

O pesquisador deu detalhes sobre o funcionamento do app que monitora pacientes e é capaz de prever até óbitos:

"O algoritmo é primeiro treinado com dados reais sobre a doença, do próprio hospital onde é testado, e depois incorporado ao aplicativo. Atualmente estamos na fase de validação da estrutura do aplicativo segundo as preferências dos médicos."

Na fase de testes, será feito um sorteio para determinar quais médicos devem receber os resultados do aplicativo, enquanto outro grupo não. Em seguida, serão comparados os prognósticos dos dois grupos. Dessa forma, a pesquisa se assemelha ao estudo clínico de vacinas e outros medicamentos, onde um grupo é medicado e outro recebe apenas um placebo.

App usa dados de exames de pacientes com COVID-19

Somente dados dos pacientes que fizerem RT-PCR serão usados na fase de testes do RandomIA
Somente dados dos pacientes que fizerem RT-PCR serão usados na fase de testes do RandomIA
Foto: Senado Federal/ Flickr / Tecnoblog

O aplicativo usa os dados de pacientes que fizeram o exame RT-PCR, independente se ele deu negativo, positivo, ou até mesmo inconclusivo. Roberta Wichmann que faz pós-doutorado pela FSP e supervisiona as operações do projeto, ressaltou:

"É importante mencionar que nenhum dado dos pacientes é compartilhado, nem com o centro coordenador da pesquisa, sendo usado apenas localmente pelo médico para teste do aplicativo".

Assim que o médico preenche todos os campos com as informações do paciente, é possível estimar tanto o diagnóstico quanto o prognóstico do doente por COVID-19. Eles são apresentados por meio de gráficos que contam como paciente pode (ou não) desenvolver a doença de uma forma mais grave.

"Usabilidade em apps de e-health é pouco explorada"

Roberta afirma que não é muito comum o uso de apps no setor de e-health no Brasil, o que motivou os pesquisadores a criarem a ferramenta. "Nota-se que a preocupação com a usabilidade dos aplicativos de e-health é ainda pouco explorada e, em relação aos aplicativos que utilizam inteligência artificial para suporte à decisão clínica, a falta de informação científica é ainda maior", explica a supervisora do RandomIA.

Ainda segundo a pesquisadora à frente do projeto, a ferramenta de IA também funciona como um guia para orientar as decisões dos médicos sobre a COVID-19. Nesse sentido, os dados coletados podem ser usados para combater a pandemia, de uma forma geral, dentro das emergências e prontos-socorros.

A pesquisa do RandomIA é liderada pelo LABDAPS (Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde) da FSP, sob comando de Alexandre. Já sob a liderança de Roberta, a parte operacional tem apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Microsoft.

Com informações: Jornal da USP

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