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Conheça e entenda o funcionamento dos apps de passaporte de vacina

Códigos digitais permitem o acesso a aviões, casas de shows e até restaurantes

16 abr 2021
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SÃO FRANCISCO (EUA) - Os passaportes de vacinas são novos aplicativos que contêm informações sobre sua saúde - mais especificamente, seu status de vacinação contra o coronavírus. Em breve, em alguns lugares do mundo, eles poderão ser obrigatórios para viajar ao exterior e até mesmo para entrar em alguns lugares. Eles, porém, ainda geram uma série de dúvidas. Abaixo, uma tentativa de deixar tudo mais claro.

Como os apps de passaporte de vacina realmente funcionam?

A ideia é que você possa carregar um código QR no seu telefone, provavelmente dentro de um aplicativo de carteira digital, que possa ser lido por companhias aéreas ou locais e dar luz verde para você passar. O código deve conter apenas informações relevantes - na maioria dos casos, apenas uma confirmação de que você foi vacinado com uma vacina aprovada dentro de um prazo válido. O QR code é escaneado e, voilà, você está dentro.

Nos EUA, os órgãos estaduais de saúde pública têm essas informações. O mesmo acontece com a farmácia ou o sistema de saúde onde você recebe a vacina. Para obter o passaporte da vacina em seu telefone, você deve primeiro acessar essas informações, verificar sua identidade e fazer o download de alguma maneira. Em seguida, os aplicativos precisam criar um código que possa dizer aos outros que você foi vacinado.

Para verificar o código, outro aplicativo o escaneia na entrada. O aplicativo CommonPass, uma carteira digital criada pelo Commons Project, fez parceria com a empresa de liberação de segurança aeroportuária CLEAR para agilizar a verificação de vacinação nos aeroportos. "O que os apps de passaporte de saúde fazem, incluindo o app CommonPass, é avaliar suas informações básicas de saúde em relação a algum conjunto de regras", disse JP Pollak, cofundador do Commons Project.

Por exemplo, em vez de trocar dados concretos, o aplicativo procuraria se o registro que seu aplicativo mantém atende aos padrões dos requisitos de entrada específicos do lado do verificador. Alguns exigirão mais informações - o aplicativo Excelsior, usado em Nova York, por exemplo, exibe seu nome, data de nascimento e a verificação, portanto, as empresas provavelmente precisarão compará-lo com um documento de identidade.

"A ideia é que os verificadores terão uma relação com o Commons Project e confiarão que o Commons Project é uma espécie de interpretação das informações segundo as diretrizes e que está correto", acrescentou Pollack.

Como meus dados são protegidos?

Trata-se de uma grande preocupação para desenvolvedores e usuários do aplicativo - afinal, estamos lidando com informações pessoais de saúde. E as empresas de tecnologia nem sempre foram as mais responsáveis com as informações das pessoas, portanto, os desenvolvedores também precisam superar uma certa desconfiança.

Talvez por isso tantos desenvolvedores de aplicativos e carteiras digitais estejam tentando deixar suas informações acessíveis ao mínimo de pessoas possível.

O app da IBM em parceria com o estado de Nova York permite que as pessoas se conectem diretamente a um banco de dados de saúde pública e salvem suas informações em seus telefones. A IBM não consegue ver essas informações, disse Piscini.

A IBM está usando um blockchain, ou um registro digital que armazena informações em muitos pontos diferentes, em vez de um ponto central. O aplicativo cria uma "hash" - ou uma cópia representada apenas por um conjunto único de números e letras - para armazenar no blockchain. Os verificadores então se conectam ao blockchain para poder confirmar os QR codes.

O CommonPass também diz que não armazena suas informações pessoais de saúde, mas cria um passe de verificação que pode ser compartilhado no momento da entrada. O app envia rapidamente suas informações para um servidor, onde a credencial de saúde é criada, mas nunca armazena as informações, disse Pollak.

Vou precisar de passes diferentes para entrar em lugares diferentes?

No começo, provavelmente sim. Este é um dos desafios mais significativos que os desenvolvedores enfrentam: existem dezenas de bancos de dados de vacinação de saúde pública nos Estados Unidos, sem mencionar centenas de sistemas de saúde, farmácias e muito mais. A maneira mais eficiente de criar um passaporte de vacina abrangente seria extrair dados de maneira uniforme e colocá-los em um formato semelhante nos telefones de todos.

Mas, para fazer isso, é necessário que haja um protocolo padrão, algo que ainda está sendo trabalhado por empresas e organizações. Sem um padrão comum, os Estados Unidos podem acabar com uma colcha de retalhos de aplicativos exigindo que você faça login e recrie códigos de verificação de vacinas em diferentes empresas e pontos de entrada.

E se eu não quiser usar um aplicativo?

Para quem não tem smartphone, não tem fácil acesso à internet ou prefere não usar um aplicativo, os passes ainda estarão disponíveis em papel. Várias organizações que trabalham na criação de passes digitais também estão garantindo que os códigos QR possam ser impressos ou obtidos pessoalmente.

Os cartões de vacinação em papel são emitidos por organizações de saúde para viagens e outros usos há décadas. Por que precisamos de versões digitais agora?

Os desenvolvedores apontam para o aumento da digitalização de tudo na sociedade - muitas pessoas preferem usar seus telefones em vez de documentos em papel. Mas os desenvolvedores também dizem que os passaportes digitais deixarão a verificação dos registros de vacinação mais rápida e segura. É mais difícil de perder. E pode ser mais difícil criar uma cópia falsa de um registro digital.

Quão difundidos serão esses aplicativos?

Não está claro quão prevalente será a exigência de um passaporte de vacina para a entrada, ou por quanto tempo vai durar essa tendência. Mas o interesse inicial de governos, companhias aéreas e até mesmo alguns locais privados não dá sinais de diminuir.

Viajantes para alguns países já estão usando passaportes para vacinas, e o Madison Square Garden disse que vai experimentar o aplicativo de Nova York.

Ainda assim, houve muito interesse inicial em tecnologia de rastreamento de contatos no início da pandemia. A Apple e o Google criaram protocolos para a prática, mas ela só foi usada, de maneira bem fragmentária, em alguns estados.

Nos Estados Unidos, esta é parte da razão pela qual muitos grupos da indústria estão esperando que o governo federal se envolva e emita diretrizes para os passaportes de vacinas. Eles também estão tentando evitar a crescente politização dos passaportes de vacinas./ TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Estadão
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