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Conheça contrato de US$ 275 bilhões entre Tim Cook e China

Acordo bilionário entre Tim Cook e autoridades chinesas deu à Apple diversas vantagens, que lhe permitiram liderar o mercado mobile local

8 dez 2021 12h51
| atualizado às 16h51
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Em 2016, o CEO da Apple Tim Cook assinou um contrato com as autoridades da China, no valor de US$ 275 bilhões, de modo a aplacar os ânimos dos reguladores locais e permitir que a companhia crescesse no país, em troca de uma série de medidas que foram implementadas, de investimentos a tratamento de dados dos seus usuários.

A denúncia, publicada pelo site The Information, se baseia em entrevistas e documentos internos da companhia, que recentemente assumiu a liderança do mercado chinês de smartphones, pela primeira vez em 6 anos.

Acordo bilionário com Pequim se reverteu em uma série de vantagens e concessões à Apple, que nenhuma outra empresa estrangeira instalada na China tem
Acordo bilionário com Pequim se reverteu em uma série de vantagens e concessões à Apple, que nenhuma outra empresa estrangeira instalada na China tem
Foto: Reuters/Nikkei Asia / Meio Bit

Segundo a matéria, Cook teria formulado o acordo para encerrar uma série de ações regulatórias contra a Apple, visto que na época, o governo chinês estava apertando o cerco contra big techs instaladas no país, em prol de proteger as suas próprias. O fato de que hoje o premiê Xi Jinping esteja batendo na prata da casa é um mero detalhe.

A empresa havia sido forçada a fechar o iBooks e o iTunes Movies, e o Apple Pay nunca pegou tração por lá por concorrer diretamente com o AliPay, este ligado ao sistema de crédito social da China. A Apple também havia perdido processos movidos contra empresas chinesas que usavam os nomes de seus produtos.

Como se não bastasse, a receita local havia despencado 26% naquele ano, se refletindo em uma depreciação do valor de mercado da Apple em 10%. A coisa estava tão feia que Doug Kass, chefe do Hedge Fund, e outros acionistas, investidores e especialistas, pediram a cabeça de Tim Cook.

A Apple detém a ambição de ser a maior companhia de tecnologia do planeta, e isso não é possível sem contar com o mercado consumidor da China, que só perde para o dos Estados Unidos. Assim, Cook realizou ainda em 2016 uma visita ao país e se reuniu com diversos membros de alto escalão do governo, bem como oficiais do setor de propaganda estatal e figurões do Partido Comunista da China, de modo a "dar uma aliviada" na pressão imposta à maçã.

Cook não é bobo, e sabe que se há uma coisa que comunistas gostam mais do que tomar os meios de produção, é dinheiro, Fidel que o diga. Como a Apple já tinha muita grana em caixa (em 2016, o valor da empresa foi de US$ 539 bilhões em janeiro a US$ 600 bilhões em dezembro) e projetava se tornar a primeira companhia trilionária da história, marca que alcançou em 2018, o executivo-chefe propôs um acordo de mão dupla, que concederia vantagens a todos os envolvidos.

2019: Tim Cook se encontra com Sun Chunlan, 2ª vice premiê da China
2019: Tim Cook se encontra com Sun Chunlan, 2ª vice premiê da China
Foto: Xinhua News Agency / Meio Bit

Documentos conseguidos pelo The Information mostram que Cook redigiu uma carta de 1.250 palavras, endereçada à Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma da República Popular da China, o órgão econômico central do país, em que a Apple concordou em fazer uma série de concessões, de modo a se alinhar com os interesses das autoridades chinesas.

Entre elas, Cook garantiu que a Apple passaria a usar mais componentes locais em seus produtos, fechar acordos com empresas de software chinesas, investir diretamente em companhias de tecnologia, abrir novas Apple Stores, fazer parcerias com universidades para a construção de centros de P&D e financiar projetos de energia renovável, treinar os "técnicos mais talentosos" da China (como isso seria determinado, não se sabe), e trabalhar em conjunto com o governo em assuntos específicos, provavelmente envolvendo coleta e armazenamento de dados.

A Apple também se mostrou disposta a injetar ainda mais dinheiro na China, se comprometendo a investir US$ 275 bilhões dentro de um período de 5 ou 10 anos (as fontes divergem). Em troca, o governo chinês concederia certos benefícios e facilidades à maçã, que lhe permitiriam crescer no país e consequentemente, assegurar a liderança no mercado local de tecnologia.

A parceria com o governo da China deu à Apple uma liberdade que nenhuma outra companhia estrangeira instalada no país possui, o que caracteriza um cenário de concorrência desleal sancionada. Por exemplo, Pequim permite que a empresa mantenha o controle das chaves do iCloud dos usuários chineses, garantindo a inviolabilidade dos dados de seus consumidores. Para todas as outras companhias, chinesas ou não, o Partido impõe a regra de que deve ter acesso a tudo.

Ainda que a Apple tenha conseguido o que queria gastando muito dinheiro, dadas as atuais tensões do Partido Comunista com as gigantes tech locais, onde a quantidade de grana que reverteram ao país não evitou uma imposição forçada de realinhamento ao pensamento coletivo, é fato que Tim Cook se revelou um negociador assustador, com excelentes capacidades de persuasão.

De fato, especialistas apontam que caso Cook deixe a Apple um dia, a companhia terá sérios problemas para fechar acordos com potências internacionais no futuro. Outro do tipo com a China, então, seria quase impossível de se repetir.

Apple Store em Changsha, na província de Hunan, inaugurada em setembro de 2021
Apple Store em Changsha, na província de Hunan, inaugurada em setembro de 2021
Foto: Divulgação/Apple / Meio Bit

Procurada pela agência Reuters, a Apple não comentou o assunto.

Fonte: The Information, Reuters, Ars Technica

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