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Como a Didi navegou por reguladores até ser enquadrada por Pequim

20 jul 2021 14h17
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A Didi Global navegou com sucesso no matagal regulatório da China por anos, mas a confiança de sua equipe de relações governamentais, formada por mais de 200 pessoas, a deixou parcialmente exposta à campanha de fiscalização promovida pelo governo Chinês, afirmaram fontes.

Chinesa Didi em estreia na Bolsa de Nova York. 30/6/2021.  REUTERS/Brendan McDermid
Chinesa Didi em estreia na Bolsa de Nova York. 30/6/2021. REUTERS/Brendan McDermid
Foto: Reuters

O poder de fogo das relações governamentais da empresa, que ajudou a manter a Didi na estrada em meio a escândalos de segurança e falta de autorizações de operação em muitas cidades, falhou em antecipar o quão drasticamente estava mudando o ambiente regulatório enquanto a empresa avançava com um IPO de 4,4 bilhões de dólares em Nova York no final do mês passado.

Como resultado, quando a Administração do Ciberespaço da China (CAC) deu início a uma fiscalização sobre o manuseio de dados de clientes pela Didi durante a campanha do IPO, muitos na empresa acreditaram que a equipe de relações governamentais seria capaz de "convencer" as autoridades chinesas, disseram fontes familiarizadas com o assunto.

No Brasil, a Didi controla a empresa de transporte por aplicativo 99.

Apenas dois dias depois da estreia em Nova York, a CAC anunciou uma investigação sobre a Didi e, posteriormente, ordenou a remoção dos aplicativos da companhia de lojas de apps na China.

Na sexta-feira, Pequim anunciou que funcionários de pelo menos sete departamentos, incluindo o CAC, Ministério dos Transportes e Administração Estatal para Regulamentação do Mercado (SMAR), estavam conduzindo uma investigação sobre a Didi nos escritórios da empresa.

A Didi, que disse em uma rede social que aceita e irá cumprir firmemente as ordens das autoridades competentes para corrigir os problemas encontrados, não comentou o assunto.

Desde o final do ano passado, a China tem agido com velocidade impressionante para controlar os gigantes de sua chamada economia de plataforma, que se aproveitaram de um ambiente regulatório frequentemente permissivo para alcançar o que a mídia estatal descreveu como um crescimento "bárbaro".

A Didi tornou-se o maior e mais bem-sucedido grupo no setor de transporte urbano por aplicativo, apesar de não estar em total conformidade regulamentar em algumas de suas operações na China.

Duas fontes disseram que apenas 20% a 30% dos negócios de Didi na China estão em total conformidade com os regulamentos que exigem três autorizações: uma para a empresa fornecer serviços de transporte por aplicativo, uma autorização de transporte para o veículo e uma licença para o motorista.

Em junho, a proporção de veículos dentro das regras entre toda a frota que recebe pedidos na plataforma Didi foi de 30,7%, enquanto a dos motoristas foi de 45,2%, de acordo com o Ministério dos Transportes.

No prospecto do IPO, a Didi disse que obteve autorizações de negócios de transporte por aplicativo para cidades que coletivamente representam a maior parte das viagens no país. A empresa não deu mais detalhes.

A Didi também conseguiu continuar a operar em Xangai sem uma licença de plataforma e com muitos de seus motoristas não tendo o 'hukou' local obrigatório, ou licença de registro residencial, disseram duas fontes distintas.

A Didi não respondeu a perguntas sobre suas operações e licenças comerciais em Xangai. O governo de Xangai direcionou a consulta da Reuters à comissão de transporte, que não respondeu imediatamente.

As ações da Didi acumulam queda de 21% desde a estreia em 30 de junho, o que representa uma perda de 14,2 bilhões de dólares em valor de mercado.

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