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Chinesa Didi corta recursos de aplicativo após assassinato de passageira

16 mai 2018
12h30
atualizado às 13h36
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A maior companhia de transporte urbano por aplicativo da China, Didi Chuxing, controladora da brasileira 99, vai desativar recursos como fotos de perfil e classificações de usuários, em uma estratégia para reconquistar confiança depois que o assassinato de uma passageira disparou questionamentos sobre a segurança do serviço.

REUTERS/Kim Kyung-Hoon
REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Foto: Reuters

O assassinato da comissária de bordo de 21 anos, supostamente cometido pelo motorista que a conduzia, e revelações de que os motoristas da Didi estavam classificando os passageiros com base em sua aparência, atingiu a imagem da companhia em um momento em que a empresa está se preparando para enfrentar rivais no exterior.

Em uma tentativa de melhorar a situação, a Didi pediu desculpas pela "tragédia" e suspendeu o serviço por uma semana. A companhia também afirmou nesta quarta-feira que vai temporariamente oferecer o serviço "Didi Hitch" entre 6 da manhã e 10 da noite, em vez de 24 horas sete dias por semana, e fazer checagens de reconhecimento facial diárias obrigatórias para todos os motoristas.

A companhia também propôs fazer uma gravação de áudio de todas as viagens como medida extra de segurança.

A Didi reconheceu anteriormente que a ferramenta de reconhecimento facial de seu serviço era defeituosa. O motorista que supostamente matou a comissária pode usar uma conta de motorista da Didi que pertencia a seu pai e não foi detectado pelo sistema.

REDE SOCIAL?

Após o assassinato, a Didi passou a ser fortemente criticada, com muitas pessoas reclamando que a companhia promoveu esforços para vender o serviço Hitch como uma rede social.

Propagandas do Hitch começaram em 2015 em páginas da Didi em redes sociais, que apresentavam o serviço como uma forma de se encontrar pessoas, incluindo encontros amorosos. O Hitch permite que os usuários chamem um carro pelo celular e compartilhem a viagem com alguém que vai para a mesma direção.

Um dos anúncios do serviço mostrava um motorista segurando uma placa onde se lia "você usa uma saia curta, eu tenho ar quente... dê a ela uma carona, eu quero!"

Um motorista em Xangai que já dirigiu para o Didi Hitch, Silla Wang, afirmou que ele já viu motoristas classificando passageiros com termos como "pernas longas", "garota adorável" ou "mulher bonita".

"No meu entendimento, o aplicativo é usado como se fosse o Momo", disse Silla, referindo-se ao aplicativo chinês de encontros semelhante ao Tinder.

Xu Yanan, uma estudante na Universidade de Tsinghua, afirmou que desde o assassinato da comissária passou a usar como foto no aplicativo a imagem de um soldado.

"Eu quero me proteger. Depois da tragédia eu estou assustada."

Desde que comprou os negócios da norte-americana Uber na China, a Didi controla 90 por cento do mercado de aplicativos de transporte urbano, o que dá aos usuários poucas opções de serviço. A empresa afirma que sua plataforma registra cerca de 25 milhões de corridas diárias.

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