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Polícia usa impressão digital em foto para prender traficantes

16 abr 2018
09h51
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Poderia ser uma história saída da série CSI , mas aconteceu em Bridgend, no País de Gales. Policiais utilizaram uma fotografia, encontrada no celular de um suspeito, para incriminá-lo por tráfico de drogas. Seria um dia normal na utilização de informações digitais para essa finalidade, não fosse o fato de que um dos argumentos que levaram à sentença foram as impressões digitais encontradas em uma foto compartilhada pelo WhatsApp.

A história começa em uma residência, alvo de um mandado de busca e apreensão. Nela, a polícia apreendeu um celular cheio de evidências, com trocas de mensagens entre um dos traficantes, que atuava na quadrilha, e potenciais clientes ou outros distribuidores. Em uma das fotos compartilhadas pelo mensageiro, dava para ver uma de suas mãos segurando comprimidos de ecstasy.

Foi aí que os policiais de South Wales tiveram uma ideia, já que a foto exibia com certa clareza um dos dedos de quem segurava o objeto, revelando impressões digitais parciais. Em meio a questões como a qualidade da foto e a ausência de uma visão completa, não foi possível chegar a um indivíduo único, mas a um pequeno grupo de cidadãos, entre os quais estava um dos suspeitos que a polícia já havia detido.

Esse ponto se uniu a outras evidências e levou Elliott Morris a ser condenado a oito anos e meio de prisão por tráfico de drogas. O trabalho também levou ao sentenciamento de outras 10 pessoas, incluindo seu pai e sua mãe, que operavam um esquema criminoso de distribuição de maconha, pílulas e outras substâncias ilegais liderado pelo filho.

Digitais parciais desta foto levaram à prisão de uma quadrilha de traficantes de drogas (Imagem: Polícia de South Wales)
Digitais parciais desta foto levaram à prisão de uma quadrilha de traficantes de drogas (Imagem: Polícia de South Wales)
Foto: Canaltech

Mais do que isso, a utilização de impressões digitais encontradas em imagens foi descrita pela polícia de South Wales, região em que o caso aconteceu, como "revolucionária". Dave Thomas, dirigente da unidade de segurança local, parabenizou a polícia científica e os policiais responsáveis pela batida pela ideia, que levou a uma nova tendência dentro da força, com agentes que, agora, dão mais atenção a fotos que exibem as mãos dos suspeitos.

Thomas descreveu a ideia como uma aplicação inédita de uma das técnicas mais antigas utilizadas pelas autoridades. O uso de impressões digitais para identificação, apesar de antigo, ainda é um dos métodos mais confiáveis para ligar evidências a suspeitos. Para ele, com a ajuda da tecnologia, é possível levar essa característica a novos horizontes e, por mais que uma comparação direta nem sempre seja possível, evidências que podem levar a uma condenação ainda assim podem ser encontradas.

O oficial disse ainda que essa foi a primeira vez que uma imagem desse tipo foi utilizada no trabalho policial, mas que com certeza não será a última, uma vez que, desde então, muitas fotos de mãos e dedos têm sido unidas a processos como parte das evidências encontradas. Além disso, a força estuda o uso de redes sociais para identificação de crimes em andamento antes mesmo que a polícia seja chamada, como forma de agilizar o atendimento e a procura dos responsáveis.

Sobre isso, Thomas imagina um futuro em que criminosos possam ser presos em minutos, por meio de uma integração entre a tecnologia e os oficiais. "Queremos chegar a um ponto em que um roubo acontece às 20h30 e o suspeito é preso às 20h45, quando chegar em casa com [o dinheiro ou mercadorias] da vítima", explica, vislumbrando uma cena que, também, é digna de um filme.

Canaltech Canaltech

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