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Raspberry Pi: cocriador conta história e fala de planos para 2013

Cocriador conta história do Raspberry Pi e fala de planos para 2013

1 fev 2013
20h37
atualizado em 13/2/2013 às 19h23
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Pete Lomas é um dos criadores do Raspberry Pi, o computador de US$ 35, e esteve nesta sexta-feira contando ao público da Campus Party a história da máquina. Ele também revelou detalhes sobre erros e acertos do processo, além de indicar quais os próximos passos da Raspberry Foundation, criada para administrar a fabricação e distribuição do equipamento.

Ideia era criar algo que fosse divertido e educativo ao mesmo tempo, afirmou Pete Lomas
Ideia era criar algo que fosse divertido e educativo ao mesmo tempo, afirmou Pete Lomas
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

"Tem muita gente famosa aqui (na Campus Party Brasil), então vou começar me apresentando: o primeiro programa que escrevi foi um jogo da velha. A gente precisa começar em algum lugar", brincou. Na sequência, contou sobre como a ideia do Raspberry Pi surgiu, com professores buscando uma forma de ensinar programação a crianças, pois percebiam que os jovens que entravam na universidade estavam "muito crus".

"Queríamos fazer não apenas um computador, mas uma máquina com uma interface", disse, justificando que a ideia era criar algo que fosse divertido e educativo ao mesmo tempo. O resultado é o PC de US$ 35, que começou com produção estimada em 10 mil unidades e na primeira semana de vendas atingiu 200 mil encomendas. "No dia do lançamento, o site saiu do ar. E por algumas horas chegamos a ultrapassar a Lady Gaga nas buscas", contou.

Lomas afirmou que o motivo de o Raspberry Pi ser tão barato é que ele é "muito simples", tem apenas os chips LAN, para as entradas de Ethernet e USB, o processador e a memória SDRAM. "Conecte um cartão SD e está pronto", observou.

Sobre o SD, o diretor de Engenharia de Sistemas da Norcott Technologies, na Inglaterra, comentou que foi uma decisão pensada e que levou em conta o propósito educacional do computador, para que as crianças pudessem "facilmente limpar a memória e começar do zero" caso fizessem algo errado nas manipulações. "Eu tenho uma pilha de cartões SD para fazer inúmeras coisas diferentes", contou à audiência do palco principal do Anhembi Parque.

O cocriador do Raspberry Pi também revelou detalhes sobre a história do computador de baixo custo. Segundo ele, quando estavam prontos para testar o PC pela primeira vez, os engenheiros perceberam que tinham esquecido a conexão entre o suprimento de energia e um dos chips. "Esquecemos completamente. E quando o Pi não funcionou, o coração parou por dois segundos", descreveu. Logo depois, alguém sugeriu uma forma de resolver a questão, para que o teste pudesse ocorrer. "Passamos a noite raspando e soldando para fazer a conexão. Entregamos os computadores para um grupo no dia 23 de dezembro, e eles testaram durante todo o Natal. Para eles, foi o melhor presente que podiam ter recebido. No dia 26, eles me ligaram e disseram que tudo tinha funcionado e que podíamos lançar", detalhou.

Lomas também contou que o primeiro orçamento que o grupo teve foi do investimento dos próprios criadores. Depois, eles fizeram um concurso online para escolher o logotipo do Raspberry Pi - 'raspberry', em inglês, significa 'framboesa' - e começaram a vender adesivos com o símbolo. Algum dinheiro também foi angariado com a venda dos primeiros protótipos no eBay, contou.

Raspberry Pi em ação
A segunda parte da palestra foi sobre as possibilidades de uso do Pi. "O que você pode fazer com ele? Qualquer coisa que você conseguir imaginar", afirmou. Ele citou iniciativas como a MagPi, revista que mostra criações independentes com o computador de baixo custo, e também falou sobre os Raspberry Jams, encontros de desenvolvedores para o compartilhamento de ideias.

Esse também foi o objetivo do lançamento da Pi Store, onde há aplicativos gratuitos e pagos. "A ideia é que você possa ver o que outras pessoas já fizeram, e você pode disponibilizar o seu projeto e, quem sabe, ganhar uns trocados. Se você faz um jogo, por exemplo, pode colocá-lo de graça e ver o que as pessoas acham", enumerou. "Aliás, o Minecraft (game de montagem de blocos) está vindo para o Pi", contou.

Dentre os projetos já realizados, Lomas mostrou um Pi que foi conectado a um balão atmosférico, com uma câmera acoplada, e fotografou a Terra da estratosfera. "Meu filho de dez anos viu as fotos e me perguntou, 'pai, por que a superfície da Terra parece curva?', e passamos meia hora conversando sobre isso, e eu fui explicando para ele. Aí está o grande potencial na educação. A tecnologia permite que você vire o jogo, permite que as crianças façam, e se você deixá-las sozinhas com um Raspberry Pi por algumas horas, elas vão fazer coisas que nem eu sabia que o Pi poderia fazer", ilustrou.

Ao Terra, o cocriador do computador de US$ 35 revelou que o projeto do balão é um de seus favoritos. Lomas, ele mesmo, ainda não conseguiu criar nada. "Tenho um trabalho fixo de diretor na faculdade que me toma umas 60 horas por semana, e em casa e nos fins de semana estou sempre em cima do Raspberry Pi. As pessoas chegam e me mostram coisas, e eu olho e digo, 'nossa, é muito legal'. Penso que queria fazer o que eles estão fazendo, mas não se pode ter tudo", comentou em entrevista após a palestra.

E o filho? "Ele está trabalhando em uma pista de corrida. Quer que os carrinhos larguem automaticamente quando todas as luzes da largada se apagarem. Está tudo na mão, só falta arrumar um tempo para montar. Poderíamos estar fazendo isso agora, mas eu estou no Brasil", brinca. "Mas ele é bem compreensivo, entende porque estamos trabalhando no Raspberry Pi."

Os planos da Raspberry Pi Foundation para 2013 incluem contratar profissionais e conseguir um escritório. O Modelo A do computador, sem conexão à internet mas com custo de US$ 25, também está na lista, e deve sair ainda no primeiro trimestre. Além disso, a equipe quer melhorar a distribuição no mundo e trabalhar na velocidade de processamento do Pi – hoje, são 700 MHz, que podem chegar a 1 GHz com overclocking.

Campus Party Brasil 2013
A sexta edição da Campus Party Brasil, uma das maiores festas de inovação, tecnologia e cultura digital do mundo, acontece entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro no Anhembi Parque, em São Paulo. Na Arena do evento, 8 mil pessoas têm acesso à internet de alta velocidade e a mais de 500 horas de palestras, oficinas e workshops em 18 temáticas, que vão desde mídias sociais e empreendedorismo até robótica e biotecnologia. Cinco mil desses campuseiros passam a semana acampados no local.

A 6ª edição traz ao Brasil nomes como o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros homens a pisar na Lua, e o fundador da Atari, Nolan Bushnell. Em sua sexta edição em São Paulo, a Campus Party também teve no ano passado a primeira edição em Recife (PE). O evento acontece ainda em países como Colômbia, Estados Unidos, México, Equador e Espanha, onde nasceu em 1997.

Nas edições brasileiras anteriores, o evento trouxe ao País nomes como Tim Berners-Lee, o criador da Web; Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers do mundo; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Steve Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Steve Jobs; e Kul Wadhwa, diretor-geral da fundação Wikimedia,que mantém a Wikipédia.

O Terra cobre o evento direto do Anhembi Parque e, além do canal especial Campus Party Brasil 2013, os internautas podem acompanhar as novidades pelo blog Direto da Campus. Para seguir a festa pelo Twitter, basta acompanhar a hashtag oficial do evento, #cpbr6.

 

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Fonte: Terra
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