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Apple precisa virar jogo para atingir futuro da música

19 mai 2014 17h27
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Mais de uma década atrás, o falecido Steve Jobs fez uma de suas características manobras de distorção da realidade, pressionando executivos de gravadoras de música a vender músicas na então nascente loja digital iTunes da Apple por US$ 0,99 cada uma.

Agora, a mesa virou e é a Apple que está sendo forçada a um acordo que está longe de ser uma vitória garantida. A companhia deve anunciar esta semana um acordo de US$ 3,2 bilhões para comprar a Beats Electronics, empresa fabricante de fones de ouvido e que opera um serviço de transmissão de música online fundada pelo lendário produtor de música Jimmy Iovine e pelo rapper Dr. Dre, segundo três fontes familiarizadas com o planejamento da Apple.

O acordo virá depois que a Pandora Media e o Spotify já reclamaram a vanguarda da revolução de transmissão de música, enquanto a resposta da Apple - o iTunes Radio que existe há oito meses - enfrenta dificuldades.

"A Apple está cerca de dois anos atrasada, atrás do Spotify", disse David Pakman, um investidor em música digital com a Venrock Capital e co-criador do Music Group da Apple. "Eles precisam de uma oferta de transmissão".

Com os downloads de músicas digitais em queda, as gravadoras colocaram pressão sobre a Apple para que ela se estruture em transmissão, segundo duas das três fontes. As gravadoras esperam que a Apple possa tornar a Beats uma concorrente forte ao Spotify e outros serviços de streaming de música, disseram as fontes.

Nos últimos meses, as grandes gravadoras têm ficado insatisfeitas com o desempenho do iTunes Radio, disse a fonte. As assinaturas de streaming são atualmente a fonte de receita que cresce mais rapidamente para a indústria fonográfica, mas a Apple não teve impacto.

As assinaturas tiveram um salto de 51% em 2013 para US$ 1,1 bilhão de um total de US$ 15 bilhões gastos com música, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Enquanto isso, os downloads caíram 2,1%.

O gasto por usuário é maior com serviços de transmissão do que para downloads de músicas. Um consumidor bom gasta cerca de US$ 25 a US$ 35 por ano em compras de músicas, mas um assinante gasta US$ 9 ou mais por mês - ou mais de US$ 100 ao ano, segundo uma fonte.

A Apple, a Beats e as gravadoras Warner Music Group e Sony Music Entertainment não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Uma porta-voz da Universal Music Group não respondeu a pedidos por comentários.

Alguns analistas de Wall Street classificaram o plano de compra da Beats pela Apple de "intrigante". Apesar do crescimento rápido da transmissão de música, ela ainda é uma pequena fatia do mercado geral de música. Se as gravadoras não concordarem a reduzir as taxas de royalties, então, como a Pandora e o Spotify, a Apple pode enfrentar dificuldades para tornar sua transmissão lucrativa. E a Beats está vários anos atrás da Pandora e Spotify, que têm mais de 99 milhões de usuários ativos combinadas.

Ainda assim, o fato de que as gravadoras estão apoiando a Apple marca um degelo no que tem sido às vezes uma relação abertamente conturbada, segundo fontes da indústria. O modelo "à la carte" que o iTunes lançou em 2001 reduziu as receitas das gravadoras, pois os consumidores não precisavam mais comprar álbuns inteiros.

Agora, a indústria da música acredita que serviços streaming são o caminho para o futuro, embora sua escalada não tenha sido suave. Fontes da indústria dizem que as negociações de licenciamento com companhias como Spotify e Pandora surgem a cada 12 a 15 meses e podem ser difíceis.

Uma fonte disse que as gravadoras gostam da Beats pois ela foi "criada dentro da indústria fonográfica". A compra da Beats trará à Apple uma bem conectada equipe de executivos da indústria e produtos de alta margem.

Conseguir trazer Iovine à bordo dará à Apple uma enorme vantagem na mesa de negociação. Ele provavelmente deixará a gravadora Interscope e se juntará à Apple, segundo duas fontes.

Mas analistas afirmam que o preço da aquisição é "intrigante". A Beats está vários anos atrás da Pandora e Spotify, que juntas têm 99 milhões de usuários ativos combinados.

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