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A favor da privacidade, chefão da Apple defende acordo bilionário com o Google

Crítico do modelo de negócios do Google, Tim Cook se rende à empresa: "Melhor buscador"

19 nov 2018
12h59
atualizado às 14h17
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Mesmo com um longo histórico de ataques ao modelo de negócios do Google, Tim Cook, o executivo-chefe da Apple, defendeu o acordo bilionário que mantém o Google como o buscador padrão nos dispositivos da maçã. O posicionamento ocorreu numa entrevista ao site Axios exibida nos EUA pela HBO na noite do último domingo (18).

Perguntado sobre o motivo por aceitar bilhões de dólares do Google, que ganha dinheiro a partir de dados dos usuários, Cook disse: "Acho que o buscador deles é o melhor, e isso é importante. Olhe, porém, para o que fizemos com os controles que construímos [no Safari]. Temos navegação privada. Temos prevenção contra monitoramento inteligente. Tentamos criar maneiras de ajudar nossos usuários durante em suas rotinas. Não é algo perfeito e eu seria o primeiro a dizer isso. Mas ajuda bastante".

Segundo o Goldman Sachs, a Apple recebe anualmente US$ 9 bilhões do Google para que o buscador da companhia seja padrão no navegador Safari, na assistente de voz Siri e em outros serviços. Ser o buscador padrão garante ao Google um número maior de visitas, o que é transformado em anúncios publicitários a partir dos dados dos usuários.

Ao longo dos anos, porém, Cook tem sido um crítico desse modelo de negócios e um defensor da privacidade. Em 2015, em um evento em Washington (EUA), ele disse: "Acreditamos que o cliente deveria ter o controle sobre suas próprias informações. Você pode gostar desses chamados serviços gratuitos, mas não acreditamos que eles deveriam ter os dados do seu email, seu históricos de buscas e agora até das fotos de suas família vendidos para anunciantes para sabe lá Deus qual objetivo". Na época, o Google havia acabado de lançar o Google Photos.

No restante da entrevista, o chefão da Apple tentou manter-se ao lado dos defensores da privacidade. Ele disse: "Se você olhar para trás, falavamos de privacidade muito antes do iPhone, por isso sempre acreditamos que privacidade está no centro de nossas liberdades civis. Essa não é uma questão de privacidade versus lucros, ou privacidade versus inovação técnica. Isso é uma falsa escolha. Seu dispositivo tem muita inteligência sobre você, mas eu não tenho que ter isso como empresa".

Como já fez outras vezes, ele também defendeu que os EUA tenha regulação governamental dos dados dos usuários, coisa que o Brasil e a União Europeia estabeleceram neste ano.

"De maneira geral, não sou um grande fã de regulação. Acredito no mercado livre, mas temos que admitir quando o mercado livre não está funcionando, e não funcionou aqui. Acho inevitável que teremos algum tipo de regulação".

Estadão

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