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Tarcísio diz que acredita na urna eletrônica e afirma estar em negociação com Kassab

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, pré-candidato ao governo de São Paulo afirmou que se não confiasse no processo eleitoral, não seria candidato

27 jun 2022 - 23h41
(atualizado às 23h46)
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Ex-ministro da Infraestrutura e candidato de Jair Bolsonaro (PL) ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta segunda-feira, 27, que acredita na urna eletrônica. Ele disse, ainda, que está em negociação com o PSD, de Gilberto Kassab, para a composição de uma aliança no Estado. Segundo ele, há a possibilidade de Felicio Ramuth, ex-prefeito de São José dos Campos e atual pré-candidato do PSD, ocupar a vice em sua chapa.

"Eu acredito nas urnas, só que vejo o seguinte: existe hoje um sentimento de desconfiança com o processo", afirmou Tarcísio, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. "Cabe ao Congresso disciplinar o rito eleitoral, e fez isso", disse. De acordo com ele, há uma parcela da população brasileira que tem dúvidas em relação ao processo eleitoral.

Bolsonaro tem feito críticas reiteradas às urnas. Uma das principais bandeiras do presidente - o voto impresso - foi enterrada no ano passado, em votação no Congresso Nacional. O presidente levanta dúvidas sobre os resultados das urnas, disse que as eleições de 2014 e 2018, da qual saiu vitorioso, foram fraudadas, sem apresentar provas, e não afirma se vai reconhecer o resultado deste ano, caso sofra uma derrota.

O ex-ministro Tarcísio de Freitas participa do programa Roda Viva, da TV Cultura Foto: Reprodução/TV Cultura

"Acho que cabe diálogo, acatamento ou não de sugestões. Entendo que a Justiça Eleitoral vem fazendo isso e fez esse chamamento ao Exército", afirmou Freitas. As Forças Armadas, por meio de representante do Ministério da Defesa, participam de comissão que acompanha e discute o processo eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com o pré-candidato ao governo paulista, as Forças Armadas, quando chamadas a colaborar, não recusam convites. Ele citou como exemplo a atuação em caso de calamidade pública, Garantias da Lei e da Ordem (GLOs) e eleições. "Quantas vezes vimos (as Forças Armadas) transportando urnas para lugares inóspitos e garantindo a segurança? Já trabalham nas eleições há muito tempo", afirmou.

Tarcísio, apesar de dizer que há quem duvide do processo, reiterou crer nas eleições. "Eu confio no processo, porque, se não, não tinha razão de eu disputar. Eu acredito que está se buscando determinadas salvaguardas e no final das contas vamos ter um processo que vai transcorrer de forma normal."

Endereço

Questionado se teme sofrer algum impedimento em razão de mudança de domicílio eleitoral, como ocorreu com o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, Tarcísio disse que os casos são diferentes. "A gente fez tudo com muito planejamento e estritamente dentro da lei. Foi analisado duas vezes (pela Justiça Eleitoral)."

O Ministério Público pediu para a polícia investigar a transferência de Brasília para São José dos Campos. Uma denúncia apresentada pelo PSOL já foi rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). "Há relação de afinidade, trabalho, afetiva, não é simplesmente o domicílio físico", disse. "Eu comecei minha trajetória profissional nas Forças Armadas em Campinas. É um pouco 'forçação' de barra dizer que não tenho vínculo com o Estado. Eu tenho família em São José dos Campos.'

Kassab

Tarcísio disse, ainda, que as conversas com o PSD, de Gilberto Kassab, estão "muito boas". "É impossível vir para uma disputa em São Paulo sem conversar com ele (Kassab)", disse o pré-candidato. "Tenho o desejo de ter o PSD conosco já no primeiro turno, não tem nada certo, mas eu diria que a conversa está caminhando muito bem", afirmou.

De acordo com ele, há a possibilidade de indicar Felicio Ramuth para o cargo de vice na chapa, mas que a vaga ainda está aberta. "Ramuth tem a possibilidade de ser meu vice, uma vez que, a gente fechando com o PSD, é natural que ele tenha esse espaço."

Estadão
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