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Steve Bannon comemora ideia de Bolsonaro de ter Eduardo como embaixador

Ex-estrategista de Donald Trump disse que Eduardo Bolsonaro é 'um indivíduo extraordinariamente talentoso'

11 jul 2019
20h08
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WASHINGTON - O ex-estrategista de campanha de Donald Trump e agitador de uma onda de movimentos nacionalistas de direita, Steve Bannon, comemorou ao saber da ideia do presidente Jair Bolsonaro de indicar Eduardo Bolsonaro ao posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. "Eduardo pega o Trump e o movimento Trump", disse Bannon ao Estado, avaliando como um movimento "muito inteligente" de Bolsonaro a possibilidade de enviar o filho a Washington. "Ele vai chegar ao posto já sabendo os atores, as questões e as oportunidades", disse Bannon.

Eduardo foi a principal interface do governo Bolsonaro com Steve Bannon. Ele se reuniu com o controverso estrategista de campanha ainda no período eleitoral, nos EUA, e, depois disso, teve uma série de encontros com o americano até ser designado o líder do "movimento" de Bannon na América do Sul. O "movimento" é considerado uma reunião de apoiadores de governos e políticos populistas nacionalistas e de direita pelo mundo.

Bannon avalia que Eduardo provavelmente não continuará no trabalho na América do Sul, pois o cargo de embaixador "vai tomar 100% do tempo" do hoje deputado, mas acha que isso pode ajudar o "movimento". "É ótimo, porque agora terá alguém que realmente entende o movimento em Washington. Eduardo é um indivíduo extraordinariamente talentoso", afirmou.

O deputado brasileiro se orgulha dos encontros que já teve com o americano, apesar de a figura de Bannon ser mal vista por parte do grupo de Trump na Casa Branca - de onde o ex-estrategista saiu demitido em 2017. A proximidade entre os dois já gerou inclusive incômodo na Casa Branca.

Bannon esteve por trás da eleição de Trump e do site Breibart, de plataforma de ultra direta. Também foi conselheiro da Cambridge Analytica, consultoria acusada de fornecer dados de milhões de usuários do Facebook para prejudicar Hillary Clinton em 2016.

Responsável por ligar a família Bolsonaro a Bannon e pela apresentação do americano ao escritor Olavo de Carvalho, o executivo do mercado financeiro Gerald Brant também elogiou a ideia de ter Eduardo na embaixada. "Seria uma investimento enorme da família Bolsonaro em construir uma relação genuinamente estratégica e especial com os Estados Unidos. O nome do Eduardo certamente seria muito bem recebido em Washington onde ele já construiu um network de peso", disse.

A cadeira de embaixador do Brasil nos Estados Unidos está vaga desde o dia 3 de junho, quando o diplomata Sérgio Amaral voltou ao Brasil. Na prática, mesmo antes da saída de Amaral a movimentação nos bastidores indicava quem seria o escolhido do governo Bolsonaro para a vaga. O diplomata Nestor Forster, do quadro da embaixada em Washington, é desde o início do ano o nome mais cotado para a função.

Conservador, Forster é próximo de Olavo de Carvalho e foi o responsável por apresentar o escritor a Ernesto Araújo, antes deste se tornar o chanceler. Em junho, Nestor Forster foi um dos promovidos à primeira classe da carreira do Itamaraty, considerada a etapa final para abrir caminho para que Bolsonaro o convidasse a assumir o posto.O diplomata também teve papel central na articulação da agenda de Bolsonaro em Washington, em março, quando o brasileiro se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca. Ele ajudou a organizar, por exemplo, o encontro de Bolsonaro com pensadores conservadores e de direita.

A indicação de Forster era dada como certa, até a fala do presidente hoje sobre a possível indicação de seu filho. Eduardo Bolsonaro não esconde seu interesse pela agenda de política externa do País e, especialmente, o entusiasmo com o governo Trump, nos Estados Unidos. Antes da posse, o filho de Bolsonaro visitou a capital americana acompanhado do assessor de assuntos internacionais do Planalto, Filipe Martins, para abrir portas do futuro governo com a Casa Branca. Em um dos encontros, esteve com o genro de Trump, Jared Kushner.

Em março, na Casa Branca, o terceiro filho do presidente assumiu o posto de chanceler informal do governo durante a viagem do pai aos Estados Unidos e recebeu uma série de deferências públicas de Trump. Primeiro, Eduardo foi convidado por Trump para participar da reunião privada entre os dois presidentes, no Salão Oval da Casa Branca. A praxe é que o encontro se limite aos dois líderes e respectivos tradutores, quando é o caso. No entanto, desta vez, o filho do presidente brasileiro se juntou aos dois. Depois, durante uma declaração à imprensa nos jardins da Casa Branca, Trump falou sobre Eduardo. "Eu vejo no público o filho do presidente, que tem sido fantástico. Você poderia se levantar? O trabalho que você tem feito durante um período duro é apenas fantástico. Eu sei que seu pai aprecia isso. Muito obrigado. Trabalho fantástico".

No G-20, no Japão, Eduardo Bolsonaro esteve novamente no encontro entre o pai e Trump que, segundo fontes, foi extremamente descontraído e informal. Nas redes sociais, Eduardo publicou uma foto com os dois presidentes apontando para ele, posicionado no meio dos dois líderes.

Em março, em uma entrevista ao apresentador José Luiz Datena, Bolsonaro chegou a dizer que poderia indicar Eduardo como embaixador, mas não fez para evitar críticas de imprensa. Na época, o presidente já havia ressaltado que Eduardo "fala duas línguas e tem amplo conhecimento de mundo".

Estadão
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