PUBLICIDADE

Sobre o efervescente STF e 2022; leia análise

Supremo faz o centro correr atrás de candidatura única improvável, orienta a esquerda, enfraquece Moro e sonha em equilibrar um incorrigível Bolsonaro

22 abr 2021
19h12 atualizado às 19h32
0comentários
19h12 atualizado às 19h32
Publicidade

A eleição presidencial de 2014 sacrificou o centro político em perspectiva nacional. A campanha do PT colou o mito da herança maldita no PSDB e freou Marina Silva. Quando Dilma deixou o poder em 2016 não existia alternativa eleitoral razoável aos olhos da opinião pública. Em 2018, uma horda desorientada tentou ocupar esse espaço. A eleição foi facilmente radicalizada entre a fúria antipetista conservadora de Bolsonaro e a tentativa de o PT se mostrar viável, trazendo consigo a ideia do #elenão e do legado lulista.

O atual presidente não é bem avaliado. Mesmo sem Lula, em 2022 o espaço do PT estaria garantido, por mais que agentes da própria esquerda o chamem de inimigo. O centro segue sem articulação. Nos últimos dois anos enumeram-se facilmente 15 personagens que sonham ocupar esse espaço. Quem tem tudo isso, não tem ninguém. Sérgio Moro seria um deles. Mas para além de agente inábil politicamente, sofre com as decisões recentes do STF. Definição após definição o que parece possível dizer é: Lula se dirá injustiçado, por mais que isso não tenha sido dito.

O que é ou deixa de ser pouco importa num país saudosista e populista, onde o marketing e as narrativas eleitorais tendem ao ilimitado. A pesquisa Paraná anterior à decisão monocrática de março do ministro Edson Fachin já tinha o ex-presidente isolado em segundo lugar nas intenções de voto. Os levantamentos mais recentes do Ipespe, em cenário minimamente favorável a Lula no STF, um mês depois, o colocavam empatado com Bolsonaro, com vitória petista no segundo turno. O fenômeno não é explicado apenas pela decisão da justiça, mas ela reacendeu agente central na realidade nacional.

O que se espera agora é que rapidamente, e a despeito dos resultados, o Poder Judiciário tente reorganizar parte da instabilidade política gerada faz décadas. Mas pense no que as decisões recentes teriam feito em 2018. Agora olhe para 2022. O fato aqui é: quanto antes soubermos o que pode ocorrer, mais segurança teremos para escolher. Com um detalhe: em algum lugar, na primeira instância, algo vai existir ligado à Lava Jato. E quanto vai durar?

Hoje o STF faz o centro correr atrás de candidatura única improvável, orienta a esquerda, enfraquece Moro, sonha em equilibrar um incorrigível Bolsonaro e faz seu grupo perceber que não tem tanto espaço para buscar um partido para 2022. O candidato de 2018 não tinha nada a perder, enquanto o presidente terá que mostrar serviço, com crescentes chances de fazê-lo diante de um adversário que oscila entre "o maior corrupto da história do Brasil" e o sujeito que terminou oito anos no poder com mais de 80% de aprovação diante de um atual mandatário que nunca ultrapassou 40%, e hoje ruma a 25 pontos.

* CIENTISTA POLÍTICO E HEAD DE EDUCAÇÃO DO CLP

Estadão
Publicidade
Publicidade