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Rússia também deixa acordo de desarmamento

3 fev 2019
20h49
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Um dia após os EUA anunciarem saída do Tratado INF, de eliminação de mísseis de médio alcance, Putin diz que vai suspender participação de Moscou. Pacto foi marco da Guerra Fria e é fundamental para segurança na Europa.Um dia após os Estados Unidos anunciarem que vão deixar o Tratado INF, de eliminação de mísseis de médio alcance, a Rússia também afirmou que suspenderá sua participação no acordo.

Presidente russo, Vladimir Putin
Presidente russo, Vladimir Putin
Foto: DW / Deutsche Welle

"Daremos uma resposta simétrica. Nossos parceiros americanos anunciaram que suspenderão sua participação no tratado, então nós faremos o mesmo", declarou o presidente russo, Vladimir Putin, neste sábado (02/02). Ele participava de uma reunião com os ministros russos do Exterior, Serguei Lavrov, e da Defesa, Serguei Shoigu.

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, também conhecido como INF, foi assinado pelos EUA em 1987 com a então União Soviética. Ele proíbe mísseis terrestres e mísseis de cruzeiro capazes de transportar ogivas nucleares com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

Os americanos e a Otan acusam a Rússia de desrespeitar o acordo com a produção de mísseis do tipo 9M729 (SSC-8), que teriam alcance de 2.600 quilômetros, no mínimo, e poderiam atingir qualquer grande cidade europeia. A Rússia afirma que o alcance desses mísseis está abaixo de 500 quilômetros.

Neste sábado, Putin ressaltou que os EUA estão há anos ignorando as iniciativas russas sobre desarmamento e "todo o tempo buscam pretextos para desmontar o sistema de segurança existente".

Mesmo assim, ele pediu a Lavrov e Shoigu que iniciem novas negociações sobre o assunto com Washington até que "os parceiros americanos se tornem maduros o suficiente para um diálogo consistente e em igualdade de condições", que é "muito importante tanto para nós como para nossos parceiros e o resto do mundo".

O chefe de Estado russo negou que seu país tenha intenção de participar de uma nova corrida armamentista com Washington. "Não devemos nem vamos nos deixar levar por uma onerosa corrida armamentista", garantiu.

Lavrov, por sua vez, frisou que Moscou "fez todo o possível para salvar o tratado, levando em consideração seu significado para a segurança estratégica na Europa e no mundo". Já Shoigu observou que os EUA "estão há anos violando o tratado" e sugeriu que a Rússia comece a desenvolver um míssil supersônico terrestre de médio alcance, proposta que recebeu a aprovação de Putin.

Os EUA haviam dado um prazo até 2 de fevereiro para que a Rússia cumpra de forma "verificável" o INF. O ultimato foi rechaçado pelas autoridades russas, que acusaram Washington de aumentar o risco de uma guerra nuclear ao abandonar tratados de desarmamento importantes para a segurança internacional.

Nesta sexta-feira, a Casa Branca anunciou que vai deixar o INF e que implementará a decisão dentro de seis meses, a não ser que a Rússia "volte a respeitar o tratado" nesse período. Logo em seguida, a Otan afirmou que apoia a decisão americana. O acordo prevê que um rompimento unilateral seja comunicado com seis meses de antecedência.

"Amanhã [sábado], os Estados Unidos vão suspender suas obrigações sob o Tratado INF e começar o processo de retirada, que será concluído em seis meses a não ser que a Rússia volte a respeitá-lo por meio da destruição de todos os mísseis, lançadores e equipamentos associados que o violam", afirmou o comunicado.

MD/afp/efe/dpa

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