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Revés para Trump em bastião conservador

13 dez 2017
08h56
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Pela primeira vez desde 1992, Alabama elege democrata para o Senado: em meio a escândalos, candidato endossado pelo presidente americano perde cadeira e deixa ainda mais estreita a maioria republicana na câmara alta.O presidente dos EUA, Donald Trump, sofreu um revés político no estado do Alabama, um dos bastiões mais conservadores do país. Contra projeções iniciais, Doug Jones se tornou na terça-feira (12/12) o primeiro senador democrata eleito no Alabama em 25 anos. Ele derrotou o juiz Roy Moore, considerado um fanático religioso e que teve sua campanha eleitoral manchada por acusações de abuso sexual.

Jones recebeu 49,9% dos votos, enquanto o republicano Moore somou 48,4% na votação extraordinária convocada depois que Jeff Sessions deixou o assento no Senado americano para se juntar ao gabinete de Trump.

Num primeiro momento, Moore se recusou a admitir a derrota. "Quando a votação é tão próxima, não acabou", disse. Com 100% dos distritos eleitorais contabilizados, o secretário de Estado do Alabama, John Merrill, comunicou que a participação popular não foi superior a 25% dos eleitores registrados no estado.

Com a vitória de Jones, os republicanos veem reduzida a estreita maioria na câmara alta americana, que agora passa a ser de 51 num total de 100 assentos. O triunfo de Jones no estado conservador do Alabama representa também um forte revés para Trump, que decidiu apoiar Moore apesar das acusações de abuso sexual contra o candidato republicano. Na eleição presidencial de 2016, Trump venceu no Alabama por 28 pontos percentuais.

Esta é a primeira vez desde 1992 que um democrata consegue ser eleito senador no Alabama, localizado no sul do EUA. É também o segundo mau resultado eleitoral para Trump em um mês: em novembro os democratas venceram várias eleições para governadores e outros cargos locais.

Advogado de direitos civis, Jones nunca havia concorrido a cargos políticos. Ele era mais conhecido por ter processado dois membros da seita Ku Klux Klan, que mataram quatro garotas negras num atentado a bomba numa igreja em Birmingham, Alabama, em 1963.

Trump felicitou o democrata Jones pela vitória no Alabama. "Parabéns a Doug Jones por esta vitória duramente disputada", escreveu Trump, em seu Twitter. "Os votos por correio foram um fator muito importante, mas uma vitória é uma vitória. As pessoas do Alabama são espetaculares, e os republicanos vão ter outra oportunidade para este assento dentro de muito pouco tempo. Nunca acaba", acrescentou.

Republicanos, em parte, aliviados

A atitude excepcionalmente complacente do presidente americano pode ser explicada da seguinte forma: para o Partido Republicano, a derrota de Moore também é, paradoxalmente, um alívio, porque evita ter que vir a lidar com uma investigação parlamentar.

O líder do Senado, o republicano Mitch McConnell, tinha advertido que Moore, em caso de eleição, seria imediatamente objeto de uma investigação da comissão ética da câmara alta do Congresso. A investigação arriscava dividir o Partido Republicano, se a comissão recomendasse a exclusão. À exceção de Trump, a maior parte dos eleitos republicanos tinha cortado o apoio a Moore depois da publicação de testemunhos de mulheres.

Moore - que chegou ao seu local de votação montado num cavalo - rejeitou as indagações sobre assédio sexual que o perseguiram durante a campanha. "Vamos acabar com isso. Voltemos às questões", disse. Moore foi acusado de agressão sexual por oito mulheres, entre elas várias que tinham entre 14 e 18 anos quando os fatos ocorreram, na década de 1970.

Nete ano, ele tentou uma ressurreição política contra funcionários do partido, horrorizados com acusações de má conduta sexual contra adolescentes quando ele estava na casa dos 30 anos de idade. A maioria do establishment republicano, além de Trump, inicialmente apoiou o principal oponente de Mooere, Luther Strange. O ex-estrategistas-chefe de Trump, Steve Bannon, foi um dos únicos apoiadores de Moore. Trump deu seu endosso posteriormente.

Moore, de 70 anos, foi deposto duas vezes da posição de principal juiz da Suprema Corte do estado do Alabama. Na primeira vez, ele foi destituído por se recusar a remover um monumento dos Dez Mandamentos no edifício do tribunal estadual. Na segunda vez, ele foi suspenso permanentemente por instar juízes estaduais sucessórios a recusar licenças de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

PV/ap/dpa/rtr/afp/efe

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