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PT fecha aliança Lula-Kalil com PSD em Minas; Bolsonaro diz que está 'quase casado' com Zema

Estado, o 2.º maior colégio eleitoral do País, pode ter chapas 'Lulil' e 'Bolsozema' e repetir polarização do cenário nacional

26 mai 2022 16h39
| atualizado às 23h01
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Em busca dos votos em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou nesta quinta-feira, 26, aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), que vai concorrer ao governo do Estado. O acordo acendeu o sinal amarelo no Palácio do Planalto e desencadeou reação do presidente Jair Bolsonaro (PL) - ele desembarcou nesta quinta no Estado, cumpriu agenda típica de campanha e ampliou a pressão para um acordo com o governador Romeu Zema (Novo), candidato à reeleição. Desde 1989, quem vence em Minas Gerais, se torna presidente.

O ex-presidente Lula esteve nesta quinta-feira, 26, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, o deputado federal Reginaldo Lopes e o o presidente do PT-MG, Cristiano Silveira. Foto: Ricardo Stuckert

A aliança entre Lula e Kalil envolveu a escolha do vice na chapa do ex-prefeito, que será o deputado estadual André Quintão (PT), e a escolha de um candidato único ao Senado - o senador e candidato à reeleição Alexandre Silveira (PSD/MG), ex-presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no primeiro governo Lula. "Com o presidente Lula, vamos tirar Minas do buraco", afirmou o ex-prefeito de Belo Horizonte no Twitter.

A aproximação de Bolsonaro com Zema prevê o desembarque do presidente da pré-candidatura do senador Carlos Viana, do PL, ao governo. "Nós dois (Bolsonaro e Zema) estamos quase casados. Está faltando definir o Senado. Ele conta com meu apoio também", afirmou Bolsonaro. O nome do presidente para o Senado é o do deputado federal e ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PL).

À noite, durante discurso na solenidade de posse da diretoria da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Bolsonaro voltou a demonstrar apoio ao governador que busca a reeleição. "Já que o governador (Zema) fez uso desta tribuna… Em time que está ganhando, não se mexe", disse. Pouco antes do discurso, Bolsonaro deu as mãos a Zema e ao presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), que estava presenta, e as levantou, como em campanhas eleitorais.

Coordenação

A costura para o acordo entre Lula e Kali também envolveu a retirada da candidatura de Reginaldo Lopes, líder do PT na Câmara dos Deputados, que pretendia concorrer ao Senado, e do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado estadual Agostinho Patrus (PSD), que pretendia integrar como vice a chapa encabeçada por Kalil. Lopes e Patrus vão coordenar as campanhas de Lula e do ex-prefeito no Estado. "O PT e o PSD fizeram gestos para que o acordo se concretizasse. Agora vamos preparar a campanha da chapa 'Lulil' contra a chapa 'Bolsozema'", afirmou o presidente estadual do PT de Minas Gerais, deputado estadual Cristiano Silveira (PT), ao Estadão.

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Do outro lado, Bolsonaro vê em Zema a tração política necessária para alavancar sua campanha em um Estado-chave. Quem encabeça as tratativas é o deputado Lincoln Portela (PL-MG), da bancada evangélica, eleito vice-presidente da Câmara. Zema, porém, ainda resiste às investidas a polarização nacional em Minas. Nos bastidores, o governador - que é líder nas pesquisas - argumenta não precisar do presidente para ganhar a eleição.

"Não existe terceira via no pleito de Minas Gerais. Não há espaço. As candidaturas de Zema e Kalil estão consolidadas e dificilmente os outros nomes lançados mudam essa situação", disse o professor Carlos Ranulfo Melo, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais.

Disputa mineira

Pesquisa da Genial/Quaest divulgada no dia 13 de maio mostrou que Romeu Zema segue como favorito na disputa ao Palácio da Liberdade. No cenário estimulado, ele tem 41% das intenções de voto, seguido por Alexandre Kalil (PSD), com 30%, e pelo senador Carlos Viana (PL), com 9%.

O levantamento ainda mostrou que o apadrinhamento político interfere nos números. Ao todo, 43% dos eleitores afirmam que votariam em Kalil se ele fizesse palanque com Lula.

Estadão
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