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Protestos de "coletes amarelos" entram em nono fim de semana

12 jan 2019
16h26
atualizado em 13/1/2019 às 08h56
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Polícia emprega gás lacrimogêneo e canhões d'água em confrontações. Ministro do Interior diz que manifestantes pacíficos se tornam cúmplices de violência. Debate nacional proposto por Macron é encarado com desinteresse.Mais de 5 mil agentes policiais foram mobilizados para as ruas de Paris neste sábado (12/01), a fim de monitorar o nono fim de semana de protestos do movimento dos "coletes amarelos". A polícia empregou gás lacrimogêneo e canhões d'água durante confrontações com os manifestantes nas proximidades do Arco do Triunfo.

Diversos bairros centrais da capital francesa foram interditados para evitar um alastramento da violência. As forças de segurança também estacionaram em toda Paris veículos blindados, cães e policiais montados. No bulevar Champs-Elysées, as frentes de dezenas de bancos, joalherias e outros estabelecimentos foram protegidos com tábuas.

O Ministério do Interior informou que cerca de 84 mil saíram às ruas para os protestos em todo o país, 30 mil a mais do que no primeiro fim de semana de 2019. Mais de 100 cidadãos foram presos no país, sendo 59 na capital. Cerca de um quarto do total foi detido por porte de arma durante a noite anterior.

Em nota no Twitter, o repórter britânico John Litchfield observou que os que atiravam pedras nos agentes mais pareciam "jovens de extrema direita do que os 'coletes amarelos' provincianos da maioria das passeatas anteriores".

Também na cidade de Bourges, no centro da França, algumas centenas de manifestantes se chocaram com a polícia, durante um protesto contra a proibição de reuniões públicas, totalizando 5 mil participantes. Bourges se tornou alvo de manifestações depois de um dos organizadores dos "coletes amarelos" alertar pelo Facebook que a localidade era de fácil acesso e contava com presença policial reduzida.

Na abastada cidade de Chantilly, ao norte de Paris, famosa por suas corridas de cavalos, aproximadamente mil manifestantes atravessaram o centro antes de marchar pelo hipódromo adentro, atrasando o início de uma competição.

O ministro do Interior francês, Christophe Castaner, advertiu os ativistas pacíficos que se tornariam "cúmplices", caso participassem de passeatas violentas. Estão em planejamento novas leis, incluindo um cadastro dos agitadores semelhante ao mantido para controlar hooligans do futebol.

As passeatas dos "coletes amarelos", geralmente acompanhadas por choques com a polícia, começaram em novembro, em reação a um aumento dos preços de combustíveis, já cancelado pelo presidente Emmanuel Macron.

Neste meio tempo, as reivindicações se ampliaram para incluir críticas ao suposto elitismo do líder de 40 anos e ao padrão de vida precário de muitos no país. O "grande debate nacional" das prefeituras proposto por Macron com o fim de aplacar os protestos, marcado para se iniciar na próxima terça-feira, é visto com desinteresse e ceticismo por grande parte da população.

AV/afp,ap,rtr

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