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As propostas de López Obrador para combater o crime no México

7 dez 2018
11h41
atualizado às 12h59
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Novo presidente mexicano anunciou plano abrangente para proporcionar mais segurança ao país. Com legalização da maconha, mobilização militar e programas sociais, ele quer enfraquecer cartéis do narcotráfico.Andrés Manuel López Obrador, também conhecido como "Amlo", foi empossado como presidente do México em 1º de dezembro. Porém já em novembro ele anunciara o Plano Nacional para Paz e Segurança 2018-2024, com que pretende combater o crime organizado, a corrupção e a violência.

López Obrador elevou muito expectativas de paz da população
López Obrador elevou muito expectativas de paz da população
Foto: DW / Deutsche Welle

Trata-se de uma tarefa hercúlea que nenhum de seus antecessores conseguiu realizar. Amlo assume um país que, em 2017, registrou 31.174 homicídios, o número mais alto das últimas duas décadas. Segundo Günther Maihold, vice-diretor do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança (SWP), o Plano Nacional "tem três elementos: social, ético e de política de segurança".

O novo presidente afirma que o programa já começou a funcionar no dia seguinte à sua posse. "Em 2 de dezembro, 35.745 soldados das polícias militar, marítima e federal foram deslocados para 150 postos de coordenação. Além disso, esses grupos contam com o apoio da polícia estatal e comunal", anunciou na primeira das coletivas de imprensa que passarão a se realizar sempre às 7:00h, a fim de, segundo Obrador, garantir "o direito à informação".

No entanto, também já no dia seguinte à posse, um jornalista foi assassinado: Alejandro Márquez era diretor do diário Orión Informativo, do estado de Nayarit. Fotografias o mostram junto a Amlo, durante a campanha presidencial.

Será esse um mau agouro para a legislatura do político de centro-esquerda? "Os efeitos das medidas que Amlo propôs em seu plano de segurança só serão visíveis no médio prazo", afirma Maihold. No entanto, o próprio chefe de Estado elevou ao máximo as expectativas dos cidadãos em relação a seu governo, e estes "contam que a segurança melhorará o mais rápido possível".

O programa para a paz e segurança prevê, entre outros pontos, a criação de uma Guarda Nacional e o combate à corrupção. Ao mesmo tempo, menciona o fim do foro privilegiado para funcionários públicos e ex-presidentes, assim como o desarmamento dos cartéis do narcotráfico. Também o cultivo de maconha deverá ser legalizado, como estratégia na luta contra as drogas. Uma "revolução" estatal visa dar fim à impunidade e aos desaparecimentos.

Para uma Guarda Nacional - talvez a proposta mais importante -, Obrador teria que alterar a Constituição mexicana, e para tal conta com a maioria em ambas as câmaras do Parlamento. Essa corporação se comporia de membros das polícias militar, marítima e federal, estando subordinada ao Exército.

"A sugestão difere da de [presidente mexicano anterior Enrique] Peña Nieto e de outros países da região, em que são alistados civis", explica o brasileiro Leonardo Bandarra, especialista em América Latina do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga) de Hamburgo.

Ele considera absolutamente plausível a ideia de recrutar civis para a luta contra a criminalidade, enquanto o governo, em contrapartida, oferece educação, saúde, apoio e segurança. "Os 'narcos' têm o controle sobre as regiões porque controlam a população, ao fazer ofertas que o Estado não dá a eles."

No Brasil, "enquanto o Rio de Janeiro se ocupou em aplicar a força, mandando o Exército às favelas" como em 2014, antes dos Jogos Olímpicos, e novamente em 2017, "o governo estadual ofereceu apoio social", explica o especialista do Giga. Amlo havia criticado a presença de militares nas ruas, uma decisão tomada pelo ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) - o que, para alguns, "detonou a guerra contra o narcotráfico" e fez disparar o número de assassinatos.

"A estratégia de López Obrador, porém, parece ser associar pressão estatal e assistência social, numa força única, no combate ao crime organizado", explica Bandarra.

Já Günther Maihold, que atuou no México, considera "preocupante" que o novo presidente não mencione em nenhum momento a polícia, nem proponha sua reforma. Ele adverte que os policiais devem ser levados em conta como parte da solução e não do problema. Segundo ele, apostar numa completa militarização de luta contra o crime organizado pode gerar "sérios problemas de direitos humanos", avalia o especialista que, por outro lado, não quer fazer um prognóstico de fracasso: "Amlo ainda tem tempo para aprender com a realidade cotidiana".

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