Pequeno tornado surpreende moradores no interior do Rio Grande do Norte; especialista explica fenômeno
Nas imagens que circulam nas rede sociais, uma coluna de poeira aparece girando e se deslocando por uma área aberta no município de Felipe Guerra, no Oeste do estado.
Um pequeno tornado surpreendeu moradores de Felipe Guerra, no interior do Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira (3). O fenômeno durou até dez minutos e foi impulsionado pela alta amplitude térmica, solo seco e ventos fortes, condições típicas do período quente e seco na região. Segundo especialista da Ufersa, a diferença de temperatura entre a superfície e as nuvens gerou a coluna de poeira giratória. Outras ocorrências semelhantes podem se repetir nos próximos meses no estado.
Uma formação semelhante a um tornado chamou a atenção de moradores de Felipe Guerra, na região Oeste do Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira, 3 de setembro. O fenômeno foi registrado em vídeo por pessoas que passavam pelo local.
Nas imagens, uma coluna de poeira aparece girando e se deslocando por uma área aberta. O episódio foi classificado como um "pequeno tornado" pelo meteorologista e professor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) José Espínola.
Apesar do impacto visual, o especialista explicou que formações desse tipo são localizadas, duram pouco tempo e podem aparecer no interior potiguar durante o período mais quente e seco do ano. O fenômeno registrado em Felipe Guerra teria permanecido ativo por aproximadamente cinco a dez minutos.
Calor e ventos favorecem formação
A ocorrência está relacionada à diferença de temperatura entre a superfície aquecida e a base de uma nuvem próxima do solo. Essa variação também provoca alterações na pressão atmosférica e coloca as massas de ar em movimento.
Quando o ar começa a circular, pode surgir uma coluna giratória capaz de levantar poeira e outros materiais encontrados na superfície. O solo seco e a vegetação com pouca cobertura tornam o movimento mais visível.
As condições são favorecidas pela amplitude térmica, caracterizada por uma variação expressiva de temperatura durante o mesmo dia, e pelo aumento da velocidade dos ventos no segundo semestre.
Em Mossoró, também no Oeste potiguar, uma estação meteorológica da Ufersa registrou ventos de até 36 quilômetros por hora nesta quinta-feira. A temperatura variou de 19°C no início da manhã para 37°C durante a tarde.
Com a elevação das temperaturas nos próximos meses, outras formações semelhantes poderão ser observadas em áreas do interior do Rio Grande do Norte.
Tornado ou redemoinho?
Embora possam apresentar aparência semelhante, tornados e redemoinhos possuem processos diferentes de formação.
O tornado se desenvolve a partir da base de uma nuvem e avança em direção à superfície. Já o redemoinho de poeira começa próximo ao solo, quando o ar aquecido sobe rapidamente e passa a girar.
Os dois fenômenos podem levantar grande quantidade de poeira e durar poucos minutos. A análise da ligação entre a coluna giratória e a base da nuvem é importante para diferenciá-los.
Quando uma coluna de ar em rotação se forma sobre o oceano ou outro corpo d'água, o fenômeno pode ser chamado de tromba-d'água.
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