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Presidente da Apex se torna a primeira baixa do governo Bolsonaro

Alex Carreiro teve sua exoneração anunciada na quarta-feira pelo chanceler Ernesto Araújo, mas trabalhou nesta quinta sob alegação de que só Bolsonaro poderia desligá-lo

10 jan 2019
20h26
atualizado às 22h20
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BRASÍLIA - Dez dias depois da posse, o governo Jair Bolsonaro demitiu nesta quinta-feira, 10, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alex Carreiro, que será substituído pelo embaixador Mario Vilalva. A primeira baixa num posto de comando do Executivo federal foi confirmada pelo próprio Bolsonaro após Carreiro desafiar o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O chanceler havia anunciado a exoneração na quarta-feira, mas o presidente da Apex trabalhou nesta quinta normalmente com a alegação de que só Bolsonaro poderia demiti-lo.

O episódio gerou desgaste para Araújo. Na noite de quarta-feira, o ministro anunciou no Twitter que Carreiro havia pedido demissão e seria substituído por Vilalva. O comunicado foi contestado pelo presidente da Apex. Inconformado, ele permaneceu no cargo e obrigou Bolsonaro a divulgar uma nota confirmando a demissão 24 horas depois da postagem do chanceler - a agência de exportação é um órgão ligado ao Itamaraty.

O presidente também utilizou o Twitter para divulgar que havia recebido Vilalva e Araújo no Palácio do Planalto. Antes mesmo do anúncio oficial, a foto da reunião dos três já circulava pelas redes sociais. A imagem foi publicada por Bolsonaro juntamente com a mensagem: "Recebi hoje o embaixador Mário Vilalva, indicado pelo Chanceler Ernesto Araújo para o cargo de Presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Boa noite a todos!".

A demissão ocorreu em meio à tentativa do governo de superar divergências entre os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia) e depois da polêmica em torno da promoção de Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para o cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil com o salário o triplo do atual.

Chanceler havia dito que Carreiro pediu 'encerramento' de suas funções

Em sua mensagem na noite de quarta, o ministro das Relações Exteriores escreveu que Carreiro havia solicitado "o encerramento de suas funções como presidente da Apex". "Agradeço sua importante contribuição na transição e no início do governo. Levei ao presidente Bolsonaro o nome do embaixador Mario Vilalva, com ampla experiência em promoção de exportações, para presidente da Apex".

A exoneração, no entanto não teria ocorrido a pedido de Carreiro, mas por uma iniciativa do chanceler, provocada por pressões de dirigentes da agência descontentes com dezenas de demissões promovidas na gestão relâmpago do chefe da Apex. Interlocutores de Carreiro dizem que ele teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência: a diretora de Negócios, Letícia Catellani, que atuou como assessora de Araújo durante a transição de governo. Letícia foi funcionária do diretório estadual paulista do PSL, do qual saiu por divergências com a direção nacional.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem do Estado, Letícia ficou descontente com o fato de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo. Ela, conforme relatos, queria reverter as exonerações.

Na reunião, Araujo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou. Ao sair do encontro, o chanceler publicou o comunicado no Twitter. O presidente da Apex enxergou no ato uma tentativa de criar um "fato consumado" e forçá-lo a sair do cargo. Por isso, decidiu se rebelar.

Em nota oficial, a agência destacou que Carreiro fora nomeado por Bolsonaro - portanto, não pelo ministro. A Apex informou que ele cumpriu expediente normalmente ontem na agência, contrariando a demissão anunciada pelo ministro. Segundo a Apex, ele fez "despachos internos" e recebeu "autoridades de Estado em audiências". A agenda pública de Carreiro não informava quais eram os compromissos, tampouco com quem ele se reuniu.

Carreiro acionou políticos em busca de apoio

Carreiro também acionou seus contatos políticos em busca de apoio. Ele enviou a deputados do PSL uma troca de mensagens pelo Whatsapp na qual relevaria que estava sendo forçado a deixar o cargo pelo chanceler e não havia pedido demissão. Numa tentativa derradeira, procurou interlocutores no Palácio do Planalto para apresentar sua versão. Segundo assessores de Bolsonaro, ele não foi recebido pelo presidente da República.

Araújo, então, decidiu procurar Bolsonaro. Em reunião de última hora, ele levou ao encontro de Bolsonaro embaixador Vilalva.

O presidente posou para a foto extraoficial entre ambos, num sinal de que a demissão seria confirmada. A expectativa era de que a exoneração de Carreiro e a nomeação de Vilalva sejam publicadas no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 11.

Araújo teve ainda uma reunião com o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), logo no início da manhã desta quinta. Segundo o GSI, porém, eles não trataram do caso Apex.

Procurado, o Itamaraty disse que não comentaria o caso. A Presidência da República não respondeu.

Estadão
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