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Placar da Eleição da Câmara indica risco de infidelidade de deputados a partidos

Levantamento do 'Estadão' mostra que 190 deputados não haviam declarado apoio a Lira ou Baleia e resistem a confirmar orientação partidária; voto na eleição é secreto

15 jan 2021 11h11
| atualizado às 22h27
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Dois anos depois de o comando da Câmara dos Deputados ser definido em uma votação folgada para Rodrigo Maia (DEM-RJ), a eleição que definirá seu sucessor segue imprevisível. Segundo placar do Estadão, a disputa indica potencial risco de infidelidade de parlamentares aos partidos que já formalizaram os apoios de suas bancadas na disputa. O número de parlamentares que não aceitaram declarar posição supera qualquer um dos concorrentes - a votação, marcada para fevereiro, é secreta. Entre os parlamentares que declararam voto, Arthur Lira (PP-AL), candidato defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, aparece em vantagem sobre Baleia Rossi (MDB-SP), que representa Maia e parte da oposição.

Placar da Eleição da Câmara 
Placar da Eleição da Câmara
Foto: Reprodução / Estadão

A enquete feita com cada um dos 513 parlamentares nas últimas duas semanas aponta Lira com 170 votos e Baleia, com 107. Outros candidatos somam 23 votos. No entanto, 190 deputados não quiseram responder - 37% da Casa - usando o argumento de que a eleição é secreta ou que ainda não definiu voto. O restante (23) não foi localizado pela reportagem, seja por meio de assessores, e-mail ou telefone celular até a conclusão desta edição. Para se eleger, o candidato tem que somar ao menos 257 votos em primeiro ou segundo turnos.

Lira e Baleia têm histórico de votos alinhados ao governo ao longo da atual legislatura, como informou o Estadão. O compromisso de barrar a chamada pauta de costumes e de não descartar previamente a abertura de um processo de impeachment de Bolsonaro aproximaram o candidato do MDB de siglas da oposição a ponto de obter, mesmo sem unanimidade, o apoio da bancada do PT, que reúne 52 deputados.

No PSL, partido que abrigou Bolsonaro em 2018, rompeu com o presidente e hoje defende a candidatura de Baleia, o racha é evidente. O placar mostra que, dos 53 deputados da legenda, 28 indicaram apoiar Lira, e quatro o emedebista - 21 não declararam voto.

Em tese, se considerados os parlamentares filiados aos partidos que apoiam cada um dos candidatos, o bloco de Baleia reúne 278 deputados e o de Lira, 195. Mas há dissidências e casos de infidelidade pública. "Apesar de meu partido apoiar Baleia, tenho mais afinidade com as pautas de Lira", afirma Luiz Carlos (PSDB-AP).

A enquete mostra que, com exceção da Rede, que tem apenas uma representante na Câmara, e do Patriota, com seis, há ao menos um parlamentar que não quis revelar voto em todos os demais partidos, independentemente de a bancada ter declarado apoio oficial a Baleia ou Lira. Do mesmo modo, mostra voto em candidaturas independentes, como a de André Janones (Avante-MG) e a de Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-bolsonarista. "Sou o único que tem coragem de pautar no 1.º dia de mandato o processo de impeachment", diz o tucano.

Do bloco de Lira, Capitão Wagner (PROS-CE) afirmou que eventual eleição de Baleia significaria uma continuidade da gestão Maia. "A alternância de poder é salutar para a democracia".

Em campanha com o apoio do governo desde o ano passado, Lira tem tentado nas últimas semanas se deslocar da imagem de "candidato do Planalto" ao mesmo tempo em que reforça o alinhamento programático de seu concorrente com os projetos pautados por Bolsonaro.

Além de defenderem a "alternância de poder", os aliados de Lira rechaçam a possibilidade de mais um impeachment. Já quem defende a candidatura de Baleia fala em compromisso. "Ele sim é uma figura leal, que assume compromissos e os cumpre", diz Giovani Feltes (MDB-RS).

Nesta semana, mais dois partidos anunciaram que terão candidato próprio na disputa: o Novo, com Marcel Van Hattem (RS), e o PSOL, com Luiza Erundina (SP). Dessa forma, o número de candidaturas pode chegar a oito, já que Fábio Ramalho (MDB-MG) e Capitão Augusto (PL-SP) também declararam que se apresentarão como opção no dia 2. Dos 24 partidos com representação na Câmara, apenas Podemos e PTB não se posicionaram. As siglas somam 21 votos. /COLABORARAM BIANCA GOMES, MATHEUS LARA, RENATO VASCONCELOS e TULIO KRUSE

Estadão
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