PUBLICIDADE

Para Maia, derretimento de Bolsonaro atrairá mais candidaturas de centro

Deputado aponta que aumento de postulantes deve dificultar unidade em torno de apenas um nome de terceira via na disputa contra Lula e o presidente

21 jul 2021 17h41
ver comentários
Publicidade

RASÍLIA - Um dos articuladores da construção de uma candidatura de centro para a disputa presidencial de 2022, o deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ) prevê a entrada em cena de mais nomes desse campo político na disputa. Para o ex-presidente da Câmara, a queda de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto e o rápido processo do aumento de sua rejeição ampliou o interesse entre os políticos para participar da eleição como opção de terceira via ao presidente e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Acho que a queda do Bolsonaro vai continuar acontecendo e vai abrir um espaço nesse campo para alguém disputar com o ex-presidente Lula a eleição. Agora, quem será esse nome? Vai ser aquele que tiver condições de mostrar que ele não está apenas entre o Lula e o Bolsonaro. Ele está à frente. Ele está num projeto que volte a gerar essa esperança, essa expectativa de que, de fato, poderemos fazer esse País crescer e reduzir a desigualdade", disse Maia ao Estadão.

Se Maia avalia que o cenário passa a ser interessante para o centro, ao mesmo tempo, teme que seja mais difícil reunir todos esses pré-candidatos em torno de uma candidatura única.

"Há muitos pré-candidatos que não colocaram o nome ainda. Quanto mais o Bolsonaro cair, mais dificuldade vai ter para se construir o caminho da unidade. Porque quanto mais ele cai, mais gente acha que tem a oportunidade de ocupar esse espaço", avalia.

Para Maia, Bolsonaro deve reduzir seus números nas pesquisas ao que ele define como patamar "pré-facada", numa referência ao apoio que o então candidato tinha na disputa de 2018, antes de sofrer o atentado à faca de Adélio Bispo durante a campanha.

"No dia da eleição municipal, em 2020, eu disse que o Bolsonaro estava voltando ao patamar de votos da pré-facada. Acho que Bolsonaro será candidato com esse governo desastroso num patamar de votos pré-facada. O que é o patamar pré-facada? Pessoas que votam nele independentemente do governo que ele faça. Votam mais pelo que ele representou em 2018, o que, para alguns, ainda representa. Que é esse discurso dele extremado, que fala para alguma classe média indignada com o Estado brasileiro, com a burocracia. E mais esses temas extremados dos costumes. Ele tinha antes da facada 15 a 18%. É o que ele vai ter quando começar o processo eleitoral, do meu ponto de vista. É para onde ele vai nos próximos meses", acredita.

Maia reconhece que não basta apenas definir um nome para que a candidatura de centro decole sozinha. É preciso construir uma proposta sólida para atrair o eleitorado que não deseja votar em Lula ou Bolsonaro.

"O centro não é um ponto entre a esquerda e a direita. O centro é um ponto onde você tem de construir um projeto, um programa de País. Onde você dê esperança às pessoas. Onde você faça o contraponto com aquele que governa e com aquele que governou", diz.

"O projeto vencedor de 2022 vai ser o candidato que conseguir falar sobre emprego e redução de pobreza. Eu acho que o tema Saúde na eleição terá um impacto menor do que teria se a eleição fosse hoje. Por isso, acho que o tema da eleição vai ser o que aconteceu com a economia informal, o que aconteceu com as pequenas e médias empresas, o que aconteceu com a volta da fome e o aumento da pobreza e da desigualdade", acredita.

"A maioria do eleitorado quer saber o seguinte: quem é que vai recuperar a capacidade de gerar empregos, melhorar a renda e reduzir a desigualdade desses milhões de brasileiros que estão na informalidade? Acho que essa é a principal agenda para 2022. Essa é a principal agenda que um candidato do Centro vai ter que conseguir construir. Mostrando que o Bolsonaro não conseguiu falar para esse eleitor", afirma.

Se Bolsonaro tem caído nas pesquisas, Lula se consolidou na liderança e Maia vê sua presença no segundo turno praticamente garantida. Mas acha que os números do petista podem baixar.

"Hoje ele estaria no segundo turno sim. Não acho fácil ele desidratar porque já passou por vários problemas e está num patamar alto. Mas acho que não terá essa intenção de voto toda. A princípio, não acho viável ele ganhar no primeiro turno", diz.

"Quem vai disputar com Lula o segundo turno é aquele que consiga olhar o pós-pandemia e olhar os temas que vão estar na agenda do brasileiro. Eu acho que vai ser emprego. Esses milhões de empregos que foram destruídos e onde a informalidade está aumentando e a pobreza e a fome voltaram a aparecer. Por isso, o Lula está forte com uma parte desse eleitorado. Mas não fala para todos. Fala mais na base. Então, quem vai falar para essas grandes classes C e D brasileiras, que já vinham perdendo com a Dilma Rousseff e que tiveram essa perda aprofundada com a crise da pandemia", questiona o deputado.

Estadão
Publicidade
Publicidade