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Orçamento secreto vence categoria principal do Prêmio Iree de Jornalismo 2021

Série 'A Casa do Brasileiro' também ganha como a melhor reportagem de 'Economia e Negócios'

30 nov 2021 19h11
| atualizado às 20h00
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BRASÍLIA - O Estadão é o grande vencedor do Prêmio Iree de Jornalismo 2021. A série "Orçamento Secreto" foi considerada a principal reportagem do ano no País e o especial "A Casa do Brasileiro" ganhou na categoria 'Economia e Negócios'. Em sua segunda edição, o prêmio é concedido pelo Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresas.

Publicada a partir de 8 de maio, a série do orçamento secreto, do repórter Breno Pires, revela o esquema criado pelo presidente Jair Bolsonaro para distribuir verbas secretas em busca de apoio político. Já o material sobre o problema habitacional no País, de Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, com fotos de Gabriela Biló, divulgado a 21 de dezembro do ano passado, mostrou o desafio de morar com dignidade antes e durante a pandemia.

Manchete do Estadão sobre o orçamento secreto no dia 8 de maio de 2021
Manchete do Estadão sobre o orçamento secreto no dia 8 de maio de 2021
Foto: Reprodução / Estadão

Reconhecida por revelar o maior caso de corrupção no período do governo Jair Bolsonaro, a série do orçamento secreto será apresentada nesta semana na Conferência de Jornalismo Investigativo Latino-Americana, promovido pelo Instituto IPYS, no Uruguai. A publicação das primeiras reportagens da série levou autoridades do governo a tentar desmentir o caráter sigiloso da distribuição do dinheiro das emendas de relator-geral, de sigla RP9. Bolsonaro chamou os repórteres que atuaram na cobertura de "jumentos", "idiotas" e "canalhas". O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse que a série era um "arroubo juvenil" do repórter e chegou a insinuar que pediu a Polícia Federal para investigar a equipe do jornal. O ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, em vídeo, disse que o Estadão era um jornal "irresponsável" e os autores da série não tinham "vergonha na cara".

As reportagens apontaram o descumprimento à Constituição e às Leis de Diretrizes Orçamentárias e denunciaram sobrepreços de até 259% na compra de tratores e máquinas agrícolas, daí o trabalho também ter ficado conhecido como tratoraço. A série resultou em uma liminar do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a execução das emendas secretas. A decisão da ministra relatora, Rosa Weber, foi referendada pelo plenário por 8 votos a 2, no dia 10.

As revelações do Estadão ocasionaram também a abertura de apurações em órgãos de controle que levaram à suspensão de pagamentos com suspeitas de irregularidades, que somariam R$ 142 milhões. Auditorias e investigações continuam em andamento no Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal e Polícia Federal. Os órgãos só passaram a investigar o caso após a publicação das reportagens.

Por sua vez, Adriana, Idiana e Biló acompanharam famílias do Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Sul para mostrar a relação delas com suas casas. No Rio Negro, em Manaus, um homem construiu seu lar com restos de geladeira. Em Fortaleza, pescadores foram retirados de perto do mar pela especulação imobiliária. Em meio às apurações, a covid-19 chegou ao Brasil e o trabalho da dupla em acompanhar brasileiros de norte a sul tornou-se ainda mais desafiador. Ao longo de 15 meses, as repórteres viveram os dramas e as alegrias das famílias, o sonho de muitas delas de ter um lar digno.

A pandemia ajudou a evidenciar o problema do déficit habitacional. Dos 72,4 milhões de moradias no País, 24,5 milhões são impróprias. O especial faz um diagnóstico dos programas federais, da ditadura militar ao governo Jair Bolsonaro, e apontou que o sonho do brasileiro de morar bem não foi atendido pelas ações de Brasília. O especial foi ainda finalista do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

A série 'A Casa do Brasileiro' foi a vencedora do prêmio Iree na categoria 'Economia e Negócios'
A série 'A Casa do Brasileiro' foi a vencedora do prêmio Iree na categoria 'Economia e Negócios'
Foto: Reprodução / Estadão

O Iree ainda premiou na categoria política a série "A vida secreta de Jair", de Juliana dal Piva, do Uol, podcasts divulgados em maio. O júri ainda atribuiu menções honrosas para a reportagem "Moradores pegam ossos de boi descartados em açougues para alimentar os filhos", de Bruna Barbosa Pereira, do UOL, e "Maceió está afundando", de Raphael Veleda e Igo Estrela, do Metrópoles. A agência Fiquem Sabendo também foi homenageada pelo trabalho em defesa do jornalismo.

Em comunicado, o Iree destacou que atua como uma organização independente voltada à promoção do debate democrático e pluralista e ao aperfeiçoamento da interação dos setores público e privado. "O Prêmio IREE de Jornalismo é uma homenagem aos profissionais que se dedicam à disseminação da informação, do conhecimento, à defesa da liberdade de expressão e de opinião", ressaltou.

Mais Admirados da Imprensa de Economia

A repórter especial e colunista do Estadão Adriana Fernandes ainda ficou no pódio dos jornalistas Mais Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, premiação do Portal dos Jornalistas.

Os vencedores foram divulgados em evento, em formato híbrido, em São Paulo. Adriana ficou em terceiro legal no TOP 10 Nacional e venceu como a mais admirada na categoria Centro-Oeste.

O pódio do TOP 10 Nacional é composto por Thiago Salomão, do Stock Pickers, e Vicente Nunes, do Correio Braziliense.

Estadão
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