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'O Novo é o único partido comprometido com a 3ª via', diz Tiago Mitraud

Pré-candidato a vice diz que, no governo, Bolsonaro 'mais atrapalha do que ajuda as reformas liberais'

2 jul 2022 - 05h10
(atualizado às 06h51)
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Deputado federal no primeiro mandato, Tiago Mitraud (Novo-MG), 35 anos, foi anunciado nesta sexta-feira, 1º, o candidato a vice na chapa presidencial do cientista político Luiz Felipe d'Avila. O Novo foi o 2° partido a anunciar a chapa completa - o primeiro foi o PT, com a dobradinha Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB); o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que deverá anunciar nos próximos dias o general Braga Netto (PL).

Líder do Novo na Câmara, Mitraud é presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa e entrou na política pelos movimentos de renovação Livres, RAPS e RenovaBR. Nessa entrevista ao Estadão, que abre uma série com os candidatos a vice, Mitraud afirmou que a candidatura de Luiz Felipe d'Avila é a única que representa a terceira via.

A chapa pura foi uma escolha ou o Novo não conseguiu se aliar a outra sigla?

O que temos visto nesses últimos meses, é que aqueles que querem combater esse populismo e a polarização do Lula e Bolsonaro infelizmente ficaram pelo caminho: Mandetta, Eduardo Leite, Sérgio Moro e Doria. No fim das contas o Novo é o único que está verdadeiramente comprometido com a construção de uma terceira via para o Brasil.

Por que o Novo é o único?

Veja o MDB, que ainda tem uma pré-candidata. Os dois líderes do governo, no Senado e no Congresso, eram do MDB. Além de outros senadores importantes do MDB que apoiam abertamente Lula. Já no Novo 100% dos filiados e mandatários apoiam a nossa candidatura.

Líder do Novo na Câmara, Mitraud é presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa e entrou na política pelos movimentos de renovação Livres, RAPS e RenovaBR. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Em Minas, o Romeu Zema, único governador do Novo, é apoiador do Bolsonaro...

Se você olhar todas as declarações públicas do Zema, é explícito o apoio dele à candidatura do Luiz Felipe. O Bolsonaro é que tenta colar na candidatura do Zema.

Mas o Novo não entrou de fato na articulação da terceira via. O partido lançou candidato à Presidência para marcar posição?

De forma alguma. Estamos entrando para dar uma opção real à população brasileira. Estivemos na mesa inúmeras vezes com os demais partidos, mas não sentimos a convicção necessária em nenhum deles.

Existe alguma chance do Novo entrar em um projeto que unifique a terceira via?

Essa chance nunca é zero, mas agora somos os únicos que temos uma chapa colocada alternativa à polarização. O convite aos outros partidos continua aberto.

Agregador de pesquisas do Estadão

Por que o Novo não escolheu uma mulher como vice e montou uma chapa com dois homens brancos?

Entendemos a importância da representatividade na política brasileira. Em 2020, fomos o partido que mais elegeu mulheres proporcionalmente em todo País nas eleições municipais. Mas a escolha por mim foi pelo que construí na Câmara, pelo fato de ser líder e pela experiência no Congresso.

Acredita de verdade que a candidatura do Luiz Felipe d'Avila, que não ultrapassou até agora 1% nas pesquisas, vai quebrar a polarização sem ter tempo de TV nem recursos do Fundo Eleitoral, que o partido abre mão?

Depois do que vimos em Minas Gerais em 2018 não podemos duvidar de nada. A candidatura é menos conhecida do que os que lideram as pesquisas, mas não temos a rejeição que os dois têm.

'Agora somos os únicos que temos uma chapa colocada alternativa à polarização', afirmou Thiago Mitraud, candidato à vice-presidente pelo Partido Novo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Por que a reforma administrativa não deu certo?

Porque não houve interesse do governo em apoiar a reforma. O governo mandou a reforma após uma crise que eles tiveram em 2020, quando perderam dois secretários do ministério da Economia. Não houve apoio do governo ao longo da tramitação da Câmara de verdade.

O presidente Jair Bolsonaro obstruiu a reforma administrativa?

Certamente. No mínimo não deu nenhum apoio. Foi como na reforma da previdência, que quando entrou foi para atrapalhar pedindo privilégios para militares. Bolsonaro não é um reformista. Usou esse discurso na campanha por conveniência. No governo ele mais atrapalha do que ajuda as reformas liberais.

Fundador do Novo, João Amôedo disse em entrevista ao Estadão ano passado que o Novo precisa decidir se é oposição ou linha auxiliar ao governo. O partido votou na maioria das vezes com a base de Bolsonaro na Câmara. Amôedo também disse que o partido tem um problema de identidade. Como avalia essa autocrítica?

Somos, segundo o (site) Congresso em Foco, o 11° partido que mais vota com o governo. O que houve é que no início, o governo mandou várias propostas com viés mais liberal. Mas ao longo do tempo o governo mudou. As pessoas ficaram com essa imagem que o Novo apoia o governo. Isso não é referenciado pelos dados. Mantivemos nossa coerência. Os demais mudaram.

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