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No Yad Vashem, presidente alemão alerta contra antissemitismo e nacionalismo

23 jan 2020
12h36
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Em cerimônia pela libertação de Auschwitz em Israel, Steinmeier afirma que memória dos crimes alemães no Holocausto jamais terá fim e que antissemitismo e "veneno do nacionalismo" devem ser combatidos hoje e sempre.O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, sublinhou a responsabilidade alemã pela morte de milhões de judeus pelos nazistas em discurso no Yad Vashem, em Jerusalém, nesta quinta-feira (23/01). "Os assassinos, os vigilantes, os ajudantes dos ajudantes, os simpatizantes: eles eram alemães", afirmou.

"Os assassinos, os vigilantes, os ajudantes dos ajudantes, os simpatizantes: eles eram alemães", afirmou Frank-Walter Steinmeier
"Os assassinos, os vigilantes, os ajudantes dos ajudantes, os simpatizantes: eles eram alemães", afirmou Frank-Walter Steinmeier
Foto: DW / Deutsche Welle

Por isso a lembrança "jamais deverá ter fim", acrescentou Steinmeier, que é o primeiro chefe de Estado alemão a discursar no museu em memória às vítimas do Holocausto, durante uma cerimônia pelos 75 anos da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau.

Steinmeier disse que o antissemitismo e o "veneno do nacionalismo" devem ser combatidos hoje e sempre. O presidente alemão declarou que gostaria de poder dizer que os alemães aprenderam para sempre com a história, mas que isso não é possível diante dos casos recentes de ódio contra judeus e dos ataques a escolas judaicas e sinagogas.

"Não são as mesmas palavras, não são os mesmos criminosos. Mas é o mesmo mal", afirmou o líder alemão durante a cerimônia, da qual participaram cerca de cem sobreviventes do Holocausto, além de representantes de cerca de 40 países, incluindo as nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial.

Estiveram presentes os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e o herdeiro do trono britânico, príncipe Charles, além de dezenas de outros líderes, como o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o rei da Espanha, Felipe 6º.

O presidente da Polônia, Andrzej Duda, recusou o convite para a conferência e expressou sua insatisfação por não ser convidado a discursar, enquanto os representantes da Rússia, da França, do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha foram.

O campo de Auschwitz-Birkenau estava localizado na Polônia, que organizará sua própria cerimônia para celebrar a libertação na próxima segunda-feira, como faz todos os anos, no Museu e Memorial de Auschwitz-Birkenau.

Os organizadores disseram que apenas representantes de Israel, dos Aliados e da Alemanha iriam discursar. Steinmeier falou em inglês. Segundo a Presidência alemã, foi um gesto de respeito às vítimas "não falar a língua dos criminosos neste local".

Em Israel, a celebração foi apresentada como a mais importante da história do país. "É uma reunião histórica não apenas para Israel e o povo judeu, mas para toda a humanidade", declarou o presidente israelense, Reuven Rivlin.

O campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi libertado pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. "Em Israel admiramos o heroísmo do povo russo na guerra e o papel crucial do Exército Vermelho para derrotar a Alemanha nazista e liberar os campos de extermínio, incluindo Auschwitz", disse o ministro israelense do Exterior, Israel Katz, ao recepcionar Putin em Jerusalém.

"Nós sabemos como o antissemitismo acaba: ele acaba em Auschwitz", declarou Putin. Mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram assassinadas no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto.

Discursos contra o Irã

Em seu discurso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, atacou o Irã e fez referência indireta a acontecimentos recentes, como o atentado que matou o general iraniano Qassem Soleimani. "Israel saúda o presidente Trump e o vice-presidente Pence por confrontarem os tiranos de Teerã", declarou. Segundo ele, o Irã é o "regime mais antissemita do planeta" e "busca abertamente desenvolver armas nucleares e aniquilar o único Estado judeu".

Pence seguiu na mesma linha e afirmou que o Irã é o maior disseminador de antissemitismo e "o único governo no mundo que nega o Holocausto como política de Estado e ameaça eliminar Israel do mapa". Por tudo isso, "o mundo deve confrontar a República Islâmica do Irã", acrescentou.

Putin afirmou que o Holocausto foi um capítulo terrível na história da humanidade e homenageou todas as vítimas dos nazistas, incluindo 6 milhões de judeus que morreram nos campos de extermínio. Ele retomou uma polêmica recente e afirmou que 40% das vítimas eram cidadãos soviéticos, o que é contestado por historiadores.

O líder russo tem destacado o papel da União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial e minimizado o pacto entre Hitler e Stalin, em 1939, que implicou a invasão da Polônia.

Macron, por sua vez, disse que a luta contra o antissemitismo deve ser intensificada e que o Holocausto jamais deve ser esquecido. "Antissemitismo não é apenas um problema dos judeus", afirmou. "Não: é sobretudo um problema de todos. Quando o antissemitismo reaparece, todas as formas de racismo proliferam."

E acrescentou: "Ninguém tem o direito de evocar seus mortos para justificar qualquer divisão ou qualquer ódio contemporâneo".

AS/dpa/efe/ap/afp/kna/epd

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