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'Não temos o mesmo poder que os EUA', diz Temer sobre política externa de Bolsonaro

Presidente acredita que o País não pode adotar política 'isolacionista', como os americanos, porque não tem o mesmo poder econômico, político e internacional deles; ministro do Itamatary de Bolsonaro é crítico do multilateralismo

5 dez 2018
22h35
atualizado às 23h52
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No último mês de seu mandato, o presidente Michel Temer disse, em entrevista na noite desta quarta-feira, 5, acreditar que o seu sucessor, Jair Bolsonaro, vai acabar adotando uma política externa multilateral, diferente do que vem indicando nas últimas semanas. "Não temos o mesmo poder que os Estados Unidos", disse.

Bolsonaro nomeou um diplomata admirador do presidente americano Donald Trump, Ernesto Araújo, para o ministério de Relações Exteriores. Ele já indicou que deve priorizar as relações bilaterais com os Estados Unidos e Israel, e diz ser contra o que chama de "ideologia globalista".

"Em face da globalização, você não tem como lançar uma política isolacionista. Eu não sei se os Estados Unidos podem, porque são um País poderoso. Nós não temos o mesmo poder nem econômico, nem político, nem internacional dos Estados Unidos. Então não podemos, temos que adotar o multilateralismo", defendeu o presidente, em entrevista à jornalista Roseann Kenedy, na TV Brasil.

A declaração do presidente foi em resposta a uma pergunta da jornalista se seria positiva ou negativa a política externa que Bolsonaro tem apresentado, com foco em relações bilaterais com os Estados Unidos e a troca da embaixada de Israel para Tel Aviv.

"Eu penso que o presidente Bolsonaro vai acabar adotando essa fórmula, digamos, universal. De universalizar as relações com os vários países", completou Temer.

Na semana passada, o presidente eleito recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro, o assessor de segurança nacional de Trump, John Bolton. O episódio gerou polêmica, porque Bolsonaro, que é capitão reformado, prestou continência ao americano.

A fala de Temer a respeito da política externa foi o único momento da entrevista em que fugiu dos elogios ao presidente eleito. Questionado sobre a maior dificuldade que Bolsonaro deve enfrentar, o emedebista disse que "seria o Congresso", mas lembrou que ele tem se encontrado com bancadas partidárias nos últimos dois dias.

"Aparentemente, seria a relação com o Congresso, mas vejo que ele está chamando as bancadas, está tendo contato com as bancadas. Penso que, mesmo no tocante à relação com o Congresso Nacional, não haverá dificuldades", disse.

Estadão

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