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WIDER IMAGE-Índios aimará da Bolívia se dividem sobre apego de Evo ao poder

18 out 2019 - 08h13
(atualizado às 09h55)
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O presidente boliviano, Evo Morales, chegou ao poder em 2006 com a promessa de defender grupos indígenas marginalizados, inclusive sua importante tribo andina aimará, que o ajudaram a conquistar a presidência.

Dançarinos participam de colorido desfile nas ruas de La Paz, Bolívia
14/01/2018
REUTERS/Manuel Seoane
Dançarinos participam de colorido desfile nas ruas de La Paz, Bolívia 14/01/2018 REUTERS/Manuel Seoane
Foto: Reuters

Popularmente conhecido como "Evo", ele ajudou a tirar muitos da pobreza desde que tomou posse, e até mudou o nome do país para Estado Plurinacional da Bolívia para homenagear seus diversos grupos étnicos, tratados durante muito tempo como cidadãos de segunda classe.

Mas o ex-plantador de coca de esquerda enfrenta uma onda crescente de insatisfação até entre os grupos indígenas que vêm apoiando de forma mais visível agora que busca um quarto mandato inédito e polêmico nas eleições de domingo.

A maioria das pesquisas mostra seu principal rival, Carlos Mesa, se aproximando de Evo, o que faz dele o maior desafio eleitoral ao líder latino-americano há mais tempo no cargo.

Evo está contando com o apoio dos mais de 4 milhões de indígenas da Bolívia em sua tentativa de prorrogar seu governo para possíveis 19 anos - uma afronta aos limites de mandato e a um referendo local de 2016 em que a maioria se opôs a que ele concorresse.

Mas muitos aimarás estão divididos a respeito de Evo. Alegações de nepotismo e projetos vultosos - inclusive um palácio presidencial de 28 andares ao preço de 34 milhões de dólares em La Paz - criaram a sensação desconfortável de que ele se alienou do povo trabalhador.

"As ideologias indígenas não foram realmente traduzidas na política", opinou Yolanda Mamani, locutora de rádio aimará de 34 anos que apresenta o popular programa "Chola Bocuda", uma referência às mulheres indígenas que se vestem com frequência com vestidos brancos e chapéus coco emblemáticos que ganharam mais destaque no governo de Evo.

Mamani, que nasceu na região ao redor das altas altitudes do Lago Titicaca e emigrou para a cidade de El Alto, próxima da capital La Paz, quando tinha 9 anos, disse sentir que a imagem do presidente é mais uma atuação do que algo palpável.

"É como um desfile de moda de folclore, como se os indígenas fossem só roupas", disse.

Sonia Quispe, produtora de mídia de 27 anos que fala e escreve no dialeto aimará, disse pensar diferente.

"Nestes 13 anos de governo Evo Morales, acredito que as pessoas mais humildes foram beneficiadas, os agricultores que vivem da terra", disse, acrescentando que, embora Evo não seja perfeito, só ele pode continuar conduzindo o processo de mudança no país. 

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