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Veneza tem projeto pronto para remover cruzeiros desde 2017

Acidente em porto elevou pressão sobre ministro dos Transportes

3 jun 2019
09h13
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A colisão de um navio da MSC Cruzeiros no Porto de Veneza, que deixou quatro pessoas feridas, reacendeu o debate sobre a presença de transatlânticos na cidade e deu combustível a novos protestos de moradores, que há anos se mobilizam contra as grandes embarcações.

Navio de cruzeiro se chocou com barco em Veneza
Navio de cruzeiro se chocou com barco em Veneza
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O acidente, no entanto, também levantou uma questão: por que o governo da Itália ainda não implantou um projeto de novembro de 2017 para tirar navios de cruzeiro do coração de Veneza? Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Infraestrutura e dos Transportes do país, Graziano Delrio, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), bateu o martelo em um plano acordado com a Prefeitura e a Região do Vêneto para alterar a rota dos transatlânticos.

Atualmente, os grandes navios cruzam a Bacia de San Marco, em pleno centro histórico veneziano, e o Canal de Giudecca, representando um risco para o frágil ecossistema da cidade. Essas embarcações atracam no terminal de passageiros de Veneza, que fica na parte insular do município, ao lado da Estação Santa Lucia.

O plano definido em 2017, por sua vez, prevê que navios com mais de 55 mil toneladas sejam direcionados a Marghera, bairro situado no continente e que abriga um dos mais importantes portos comerciais da Itália.

"A Região do Vêneto e a Prefeitura de Veneza apresentaram uma proposta que explora uma viabilidade já existente e prevê a passagem pelo Canal dos Petroli para chegar a Marghera. O ponto é: quando houve essa decisão? Muito tempo atrás, em 6 de novembro de 2017. O ministro era Graziano Delrio, governo do PD, mas depois não aconteceu nada", disse o governador do Vêneto, Luca Zaia.

Ele é expoente da ultranacionalista Liga, partido que hoje governa a Itália em aliança com o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S). As duas legendas, no entanto, vivem uma situação de crescente tensão e ameaças de rompimento, especialmente após as eleições europeias de 26 de maio.

Depois do acidente do último domingo (2), as atenções se voltaram para Danilo Toninelli, atual ministro da Infraestrutura e dos Transportes e membro do alto escalão do M5S. "Quero explicar a todos que é o ministro da Infraestrutura quem deve tomar uma decisão. Danilo Toninelli está no governo há um ano e nunca convocou uma reunião", acrescentou Zaia, sem esconder a insatisfação.

O ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini, secretário da Liga, deu eco às cobranças e afirmou nesta segunda-feira (3) que o projeto para retirar os grandes navios do centro histórico de Veneza deve ser feito "imediatamente".

"O turismo é uma parte fundamental da economia italiana e pode ser feito de maneira inteligente, reduzindo os riscos. Como existe um projeto que espera aprovação há tempos, acho que é hora de aprovar esse projeto", declarou.

Pressionado, Toninelli disse que trabalha em uma solução "há meses". "Mas antes, para não perder os cruzeiros em Veneza, precisamos encontrar alternativas, tanto definitivas quanto provisórias", reforçou o ministro, ignorando a solução apresentada em 2017.

"O projeto será definido até o fim de junho", prometeu.

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