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Um dia após ser reeleito, presidente do Chade morre em conflito

Após morte, junta militar assumiu poder e dissolveu Parlamento

20 abr 2021
13h47 atualizado às 14h20
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As Forças Armadas do Chade anunciaram nesta terça-feira (20) a morte do presidente do país, Idriss Déby Itno, por consequências de ferimentos sofridos durante um combate no fim de semana. O anúncio do óbito ocorreu um dia após a Comissão Eleitoral anunciar a reeleição de Déby, para o sexto mandato, com 79,32% dos votos.

Idriss Déby estava no poder há mais de 30 anos e tinha sido reeleito para sexto mandato
Idriss Déby estava no poder há mais de 30 anos e tinha sido reeleito para sexto mandato
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo o comunicado do porta-voz dos militares, general Azem Bermandoa Agouna, o mandatário foi morto enquanto acompanhava as ações do Exército contra o grupo rebelde Frente para a Mudança e Concórdia (Fact) no norte do país. A ação matou cerca de 300 membros da organização.

"O presidente da República, chefe de Estado, chefe supremo das Forças Armadas, Idriss Déby Itno, acabou de exalar seu último respiro para defender a integridade territorial no campo de batalha. É com profunda tristeza que anunciamos ao povo do Chade a morte, terça-feira 20 d abril de 2021, do marechal do Chade", disse Agouna em pronunciamento oficial pela televisão.

No entanto, ao invés de convocar novas eleições para o país, as Forças Armadas anunciaram um Conselho Militar de Transição (CMT) guiado pelo filho de Déby, Mahamat Idriss Déby Itno, pelos próximos 18 meses. Os militares dissolveram o Parlamento recém-eleito, impuseram um toque de recolher e o fechamento das fronteiras como primeiras medidas.

Em nota, o CMT informou que vai "garantir a independência nacional, a integridade territorial, a unidade nacional, o respeito aos tratados e acordos internacionais". "Novas instituições republicanas serão constituídas ao fim do período de transição através da organização de eleições livres, democráticas e transparentes", acrescentou o grupo.

A ação, porém, é inconstitucional. A Carta Magna do Chade diz que no caso de vacância presidencial, o presidente do Parlamento deve organizar novas eleições imediatamente e que ele não poderá concorrer à disputa.

Déby, 68 anos, estava no poder há pouco mais de 30 anos e era um dos mais antigos presidentes do continente africano. Ele assumiu o posto em 1990 após uma rebelião contra o então mandatário Hissène Habré e, depois de uma mudança constitucional que aboliu a reeleição, foi ficando no cargo até este fim de semana. .
   

Ansa - Brasil   
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