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UE não reconhece eleições em Belarus e anuncia sanções

No entanto, Merkel afirmou que ninguém irá interferir no país

19 ago 2020
11h52
atualizado às 12h01
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A União Europeia anunciou nesta quarta-feira (19) que não reconhece as eleições presidenciais realizadas em Belarus no dia 9 de agosto e que irá impor sanções contra autoridades por conta da repressão registrada nos protestos diários que se seguiram ao pleito.

Segundo o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, as eleições que culminaram com a reeleição de Aleksandr Lukashenko "não foram livres, corretas e correspondentes aos critérios internacionais" como também foram "fraudadas".

Apesar de não detalhar as sanções, o bloco - que se reuniu por videoconferência nesta quarta-feira - decidiu pelas punições por conta das violações dos direitos civis durante as manifestações majoritariamente pacíficas que ocorrem desde que os resultados preliminares das eleições foram divulgados.

"O povo de Belarus tem o direito de decidir seu futuro e livremente eleger seu líder. Violências contra os manifestantes são inaceitáveis e não podem ser permitidas", acrescentou Michel durante sua entrevista após o encontro.

Por sua vez, Von der Leyen foi mais incisiva dizendo que "o povo de Belarus quer mudança e quer isso agora". 

"Eles pedem a libertação daqueles que foram presos ilegalmente e a acusação contra todos os responsáveis pela brutalidade policial. Eles querem democracia e novas eleições presidenciais. A UE está ao lado do povo de Belarus", escreveu a presidente da Comissão em seu Twitter.

A representante europeia ainda pontuou que a reunião de líderes "deu três fortes mensagens" às autoridades locais: que apoiam a população e querem direitos fundamentais e a democracia; que vão sancionar quem for responsável "pela violência, repressão e fraude dos resultados eleitorais"; e que apoiam a "transição democrática pacífica" no país.

Pouco antes da fala oficial dos dois líderes europeus, a chanceler alemã, Angela Merkel, conversou com jornalistas e ressaltou que as medidas não são para causar uma "interferência externa" no governo de Lukashenko.

"Nós apoiamos a sociedade civil, [...] mas para nós está claro que Belarus deve encontrar sua estrada sozinha, sem ações externas", disse Merkel em um tom claro de resposta ao governo russo, principal apoiador do presidente, que entra no coro de que os europeus querem interferir na política interna.

Questionada se faria a mediação da crise política entre Minsk e Bruxelas, no entanto, Merkel disse que isso "infelizmente" não é possível porque o líder de Belarus se nega a aceitar qualquer tipo de conversa.

"Para mediar, é preciso ter disponibilidade das duas partes e Lukashenko refutou conversas", ressaltou.

Pouco antes do encontro, Lukashenko voltou a atacar os "países ocidentais", segundo publicou a agência de notícias russa Tass.

"Os países ocidentais, diretamente, sem esconder, estão anunciando o recolhimento de fundos e seu envio para Belarus, nós vemos. Naturalmente, não podemos rastrear todos os financiamentos que são enviados porque são muitos. Mas nós sabemos e focaremos neste problema", disse o mandatário, sem apresentar provas, em uma reunião com seus ministros.

O líder ainda afirmou que seu governo "não vai cair" porque "temos quem nos apoia", em uma clara referência ao Kremlin.

Considerado pelos europeus como "o último ditador" do continente, por estar no poder desde 1994, Lukashenko foi reeleito - segundo dados oficiais - com mais de 80% dos votos no dia 9 de agosto. Porém, desde a divulgação da boca de urna, milhares de pessoas estão indo às ruas diariamente para protestar contra o resultado.

Durante as manifestações, que são em sua maioria completamente pacíficas, a polícia chegou a prender quase sete mil pessoas - incluindo jornalistas internacionais. Porém, o governo informa que "praticamente" todos os detidos foram libertados.

Além das supostas fraudes no dia das eleições, que não podem ser comprovadas porque o pleito não contou com observadores internacionais, o governo agiu antes da disputa impedindo que candidatos da oposição concorressem à Presidência.

- Rússia e China voltam a apoiar: No dia da reunião da União Europeia, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, voltou a afirmar a proximidade dos russos com Lukashenko - mas descartou ativar uma ação militar para Belarus no âmbito de tratados de segurança que existem entre os dois países porque a situação será resolvida "no diálogo".

"Os meios militares russos estão no território da Rússia. [Os acordos] contêm uma série de obrigações das partes, que preveem assistência recíproca, mas no momento não há necessidade disso. E, na realidade, a liderança de Belarus admitiu a falta de tal necessidade", ressaltou Peskov segundo a agência Tass.

Outro aliado do país, a China voltou a se manifestar e dizer que "não quer ver o caos em Belarus".

Um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, informou que Pequim se "opõe fortemente" a qualquer força externa que queira "criar divisão e instabilidade no país". .
   

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