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Turquia inicia ofensiva contra curdos no nordeste da Síria

Erdogan anunciou começo da operação Fonte de Paz no Twitter

9 out 2019
11h00
atualizado às 14h30
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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quarta-feira (9), em seu perfil no Twitter, o início da invasão ao nordeste da Síria para combater forças curdas.

Membros do Exército Nacional Sírio, grupo rebelde apoiado pela Turquia, se preparam para ofensiva contra curdos
Membros do Exército Nacional Sírio, grupo rebelde apoiado pela Turquia, se preparam para ofensiva contra curdos
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A ofensiva se tornou possível após a decisão do mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar as tropas americanas da região.

A coalizão curda Forças Democráticas da Síria (SDF) foi a principal aliada dos EUA na luta contra o Estado Islâmico no país árabe e controla hoje o nordeste da nação, área que faz fronteira com a Turquia.

Erdogan teme que a criação de um território autônomo curdo na Síria fortaleça movimentos separatistas em seu país, que abriga boa parte dos cerca de 30 milhões de membros dessa etnia, considerada o maior povo sem pátria no mundo.

O presidente turco alega que o objetivo da ofensiva é combater as Unidades de Proteção Popular (YPG), milícia que integra as SDF e é ligada ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), organização considerada como terrorista por Ancara, pelos EUA e pela União Europeia.

"As Forças Armadas turcas, ao lado do Exército Nacional Sírio, acabam de lançar a Operação Fonte de Paz contra o PKK/YPG e os terroristas do Estado Islâmico no norte da Síria. Nossa missão é evitar a criação de um corredor do terror ao longo de nossa fronteira sul e levar paz à região", disse Erdogan no Twitter.

Segundo ele, a invasão busca criar uma "zona de segurança" na divisa entre os dois países e "facilitar o retorno de refugiados sírios para suas casas". Com isso, Erdogan pode alterar a composição demográfica da região, hoje predominantemente curda. "Vamos preservar a integridade territorial da Síria e libertar comunidades locais dos terroristas", prometeu.

A ação tem o apoio do Exército Livre da Síria, que combate o regime do presidente Bashar al-Assad. As autoridades curdo-sírias, por sua vez, convocaram toda a população da região a se dirigir à fronteira com a Turquia para "cumprir seu dever moral de resistência neste momento histórico e delicado".

"Caças turcos lançaram ataques sobre áreas civis. Há um grande pânico na população", escreveu no Twitter um porta-voz dos combatentes curdos. Já Donald Trump disse que seu objetivo com a retirada era sair de "ridículas guerras sem fim", mas ameaçou "destruir" a economia da Turquia se o país agir "fora dos limites".

Alvos

Os primeiros ataques atingiram os vilarejos de Mishrefe, Asadiya e Bir Nuah, a sul e a sudeste da cidade fronteiriça de Ras al-Ayn, também bombardeada. Além disso, disparos de artilharia acertaram alvos em Tal Abyad, que, junto com Ras al-Ayn, será a "porta de entrada" para os turcos na Síria.

Fontes das YPG informaram à CNN que centenas de civis estão em fuga das áreas golpeadas. Por enquanto, a ofensiva é liderada pelas milícias sírias pró-Ancara e por caças turcos, já que as tropas terrestres da Turquia só devem entrar em ação após a eliminação de todos os "fatores de risco".

Por outro lado, milícias curdas dispararam cerca de uma dezena de tiros de morteiro em direção à cidade fronteiriça turca de Nusaybin. Países como Alemanha, Bélgica, França, Polônia e Reino Unido pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise.

Ansa - Brasil   
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