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Trump e Putin negam interferência russa em eleições de 2016

Líderes se reuniram por 2 horas e prometeram cooperação

16 jul 2018
13h30
atualizado às 13h33
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu hoje (16) o fim do clima de "Guerra Fria" com os Estados Unidos, após manter uma reunião fechada de duas horas em Helsinque, na Finlândia, com o norte-americano Donald Trump. Os dois políticos prometeram melhorar as relações bilaterais e agir de maneira conjunta em desafios internacionais, como a guerra na Síria. Eles também negaram qualquer interferência de Moscou nas eleições presidenciais à Casa Branca em 2016.

Trump e Putin negam interferência russa em eleições de 2016
Trump e Putin negam interferência russa em eleições de 2016
Foto: EPA / Ansa - Brasil

"Devemos deixar para trás esse clima de Guerra Fria. Não precisa de confronto. A situação mudou, precisamos enfrentar os desafios comuns, o terrorismo que cresce cada dia mais e o crime internacional, sem falar nos problemas econômicos e ambientais", argumentou Putin, em uma coletiva de imprensa com Trump. "Devemos normalizar as relações", sugeriu.

Putin também disse ser "favorável" a uma "cooperação contínua" com os EUA contra o terrorismo e pela segurança digital. "Nossos serviços especiais estão cooperando com sucesso com os serviços dos EUA, um exemplo de cooperação conjunta que ocorreu durante a Copa do Mundo", informou.

 De acordo com Putin, "as negociações de hoje foram cruciais para frear a proliferação das armas nucleares", um dos temas que estava na agenda do encontro histórico, além do comércio mundial, Oriente Médio e China.

"Com Trump, também falei sobre as crises regionais que influenciam não apenas a Rússia, como os EUA. Por exemplo, discutimos a guerra na Síria, onde devemos restabelecer a paz e a reconciliação. EUA e Rússia podem ter uma liderança proativa nesta crise. Somente com a cooperação se pode chegar ao sucesso", exaltou Putin.

Segundo o líder russo, ele e Trump "começaram a se entender melhor" depois do encontro de hoje em Helsinque.

 Já Trump, por sua vez, admitiu que existem "desacordos" com o russo, mas que o encontro de hoje foi "produtivo e importante"."Os desacordos são notáveis, resolveremos muitos dos problemas, devemos encontrar modos de cooperar para defender os interesses dos nossos países", comentou.

 "As nossas relações nunca estiveram tão ruins quanto agora. Mas tudo mudou porque nos encontramos", disse Trump. "O diálogo construtivo entre a Rússia e os EUA poderá oferecer a possibilidade de abrir novos caminhos para a paz", ressaltou.

Eleições 

Na coletiva de imprensa após o encontro, Putin voltou a negar que a Rússia ou hackers do país tenham interferido nas eleições à Casa Branca de 2016. O tema foi um dos grandes destaques da conferência com a imprensa.

 "Repito o que já disse em várias ocasiões: a Rússia nunca interferiu nem interferirá nos assuntos internos americanos", afirmou, sugerindo que qualquer prova sobre uma ação russa nas eleições deveria ser publicada para ser "analisada em conjunto, através de especialistas em informática".

O republicano adotou o mesmo tom pacífico e também negou que tenha feito algum concluiu com Putin para vencer as eleições de 2016. "Venci Hillary de maneira leal. Repito: não teve nenhum concluiu com a Rússia durante a campanha eleitoral", disse Trump.

Em certo momento da coletiva, Putin, porém, fez uma brincadeira e disse que ajudou Trump nas eleições. "Sim, eu que ajudei Trump a vencer as eleições na América porque ele prometia melhorar as relações entre EUA e Rússia", ironizou.

Putin disse que Moscou pretende solicitar uma cooperação aos Estados Unidos para uma investigação sobre o investidor americano Bill Browder, suspeito de não pagar impostos na Rússia sobre uma fortuna de US$ 1,5 bilhão. Browder é um dos financiadores da campanha eleitoral da democrata Hillary Clinton, com apoio de US$ 400 milhões. "Talvez tenha mesmo sido uma contribuição legal, mas seu lucro foi obtido de maneira ilegal", apontou Putin.

Na última sexta-feira, o procurador especial Robert Mueller denunciou 12 militares russos de interferência no pleito. Mas Trump definiu o caso como um "caça às bruxas", eximindo Putin de qualquer responsabilidade e alegando que isso ocorreu durante o governo do seu antecessor, Barack Obama.

Ansa - Brasil   
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