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Sobrevivente de Auschwitz é ofendida em ato antivacina na Itália

15 out 2021 17h37
| atualizado às 18h01
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A senadora italiana Liliana Segre, sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, foi alvo de insultos nesta sexta-feira (15) durante os protestos de grupos antivacinas em Bolonha, na Itália, contra a apresentação obrigatória do certificado sanitários anti-Covid por todos os trabalhadores dos setores público e privado.

Liliana Segre também foi alvo de ataques após tomar vacina anti-Covid
Liliana Segre também foi alvo de ataques após tomar vacina anti-Covid
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Os militantes acusam Segre de "trair seu passado" ao apoiar o passe sanitário, porque "a liberdade não está à venda" e exigir o documento "é a pior discriminação desde o nazismo".

"Uma mulher que ocupa um lugar que não deveria porque envergonha a sua história e que é Liliana Segre", disse um dos manifestantes no megafone, acrescentando que a senadora "deveria desaparecer".

Os manifestantes, que lotaram a piazza Maggiore, ressaltaram também que este "é o dia mais infame da história da República Italiana". O vídeo do ataque contra Segre viralizou na internet rapidamente e despertou reações de diversos partidos e políticos italianos.

O Partido Democrático (PD), maior legenda de centro-esquerda da Itália, afirmou que "insultar Liliana Segre é exaltar a ignorância, não conhecer a história e apagar as melhores raízes do país".

A presidente da sigla, Valentina Cuppi, enfatizou que "é arrepiante ouvir palavras como essas gritadas". "É atroz e perigoso. São uma vergonha", disse.

Já o Movimento 5 Estrelas (M5S) divulgou uma nota na qual expressa sua "máxima solidariedade a Segre, cujo dramático passado é mais uma vez evocado sem o conhecimento dos fatos".

"Aproximar as medidas de segurança que o governo implementa para deixar para trás a pandemia do regime nazista é aterrorizante e demonstra o quanto o protesto está superando os limites da razão", finaliza a nota.

Em julho passado, a sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz chegou a criticar as pessoas que comparam a perseguição aos judeus às regras que buscam incentivar a vacinação contra a Covid-19.

Segundo Segre, esse tipo de analogia é uma "loucura" e um "gesto de mau gosto e ignorância". "É uma época de tamanha ignorância e violência - que nem são mais reprimidas -, que leva a essas distorções. É uma escola na qual os valentões são os mais fortes".

Desde o início dos protestos contra o certificado sanitário, os grupos antivacinas se comparam a judeus perseguidos pelo nazismo e se dizem vítimas de uma "ditadura".

Trajetória -

Nascida de uma família laica judia de Milão em 10 de setembro de 1930, Segre tinha apenas 13 anos quando foi deportada para Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Ao chegar ao campo de extermínio, foi separada do pai, com quem não voltaria mais a se reunir. Com o número 75.190 tatuado no braço, a jovem fez trabalhos forçados em uma fábrica de munições e, em janeiro de 1945, participou da chamada "marcha da morte", a transferência de prisioneiros da Polônia para a Alemanha.

Segre foi libertada em maio daquele mesmo ano pelo Exército soviético e passou a viver com os avós maternos, os únicos sobreviventes da família.

Em janeiro de 2018, após uma vida dando testemunho dos horrores do Holocausto e de sua superação, especialmente para jovens, foi nomeada senadora vitalícia pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella.

Ansa - Brasil   
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