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Sob pressão por festas, Johnson anuncia fim de regras sanitárias

Ato é visto como forma de o premiê evitar moção de desconfiança

19 jan 2022 12h44
| atualizado às 13h14
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Um dia após o Reino Unido registrar seu recorde de mortes por Covid-19 em quase um ano e em meio a muita pressão política para renunciar por realizar festas durante o lockdown, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou nesta quarta-feira (19) a revogação de todas as regras sanitárias contra a doença.

Boris Johnson está no meio de uma turbulência política por conta da revelação de festas durante o lockdowns
Boris Johnson está no meio de uma turbulência política por conta da revelação de festas durante o lockdowns
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A partir da próxima semana, o trabalho remoto não será mais incentivado, não será necessário usar máscaras em locais públicos e cai a obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação para entrar em qualquer tipo de lugar. Só continuará valendo a exigência de autoisolamento para quem testar positivo para a Covid-19.

Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales não precisarão seguir as novas medidas e têm independência para definir se aderem ou não às orientações.

Segundo Johnson, em fala no Parlamento, a decisão de revogar as medidas de maneira antecipada - elas valeriam até o dia 26 - vem por conta na queda de casos diários provocados pela Ômicron - e nem o recorde de 438 mortes nesta terça-feira (18), o maior número desde fevereiro do ano passado, fez o governo rever a decisão. Para o premiê, a doença está "virando endêmica" e pode-se "voltar ao plano A", apesar de ainda "recomendar cautela".

O conservador ainda afirmou que trabalha para acabar com o autoisolamento de positivos em março, mesmo não havendo base legal para a medida.

Porém, internamente, o alívio nas restrições vem em um momento que o premiê perde cada vez mais força entre os conservadores, que ameaçam fazer uma votação de moção de desconfiança para retirá-lo do poder. Recentemente, um novo pacote de medidas anti-Covid teve um voto de protesto relativamente grande em seu partido.

Até por conta disso, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, que pede a renúncia de Johnson abertamente, solicitou que o primeiro-ministro torne público o parecer científico que serviu como base para a aceleração do fim das medidas e para "reverter" a ideia de que o anúncio é apenas uma "manobra para salvar a poltrona de premiê" e que vai afetar duramente "a saúde dos cidadãos".

Johnson está nos holofotes por conta do escândalo "PartyGate", como vem sendo chamado pela mídia local, por terem sido reveladas ao menos 14 festas e eventos com bebidas alcoólicas durante o lockdown em Downing Street, residência oficial do premiê.

Novamente ao Parlamento, o líder político afirmou que os encontros "não violaram as regras sanitárias vigentes", mas as revelações mostram que as festas não estavam conforme as determinações do próprio governo. À época, o decreto vetava qualquer tipo de reunião em local fechado por mais de duas pessoas que não moravam na mesma residência.

Em um desses eventos, em maio de 2020, mais de 100 pessoas foram convidadas para comparecer aos jardins de Downing Street. O convite ainda deixava claro que era preciso "levar a sua bebida alcoólica" para o encontro. Naquele dia, mais de 30 funcionários foram ao local, além de haver uma aparição de Johnson e sua esposa Carrie.

Um outro encontro teria ocorrido às vésperas do funeral do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, quando estava valendo o luto nacional. Outro ocorreu próximo ao Natal, também com mais de 10 pessoas. .
   

Ansa - Brasil   
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