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Serra Leoa proíbe acesso de meninas grávidas à escola, denuncia AI

6 nov 2015
12h11
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Milhares de meninas grávidas foram proibidas de ir à escola e fazer as provas que ocorrerão no final de novembro, por isso que correm risco de ficar para trás enquanto o país se recupera da crise do ebola, denunciou nesta sexta-feira a Anistia Internacional (AI).

A proibição é anterior ao surto, segundo reconhece a organização, mas o governo realizou uma nova declaração quando foram reabertas as escolas em abril deste ano, o que suscitou uma nova polêmica pela discriminação e o estigma sofrido por adolescentes grávidas.

"Em um momento em que Serra Leoa se recupera da crise do ebola, as meninas grávidas com as quais falamos expressaram o desejo de ajudar a reconstruir o país. Muitas queriam ser enfermeiras, médicas e advogadas, profissões muito necessárias", declarou a investigadora da AI na África Ocidental, Sabrina Mahtani, em comunicado .

Segundo os dados do governo, no país há cerca de 3 mil meninas grávidas, embora os especialistas consideram que o número real seja muito maior -ao redor de 10 mil- e que a epidemia do ebola disparou o número de casos.

O fechamento dos centros escolares para prevenir o contágio não foi acompanhado de um aumento da proteção das meninas contra agressões sexuais e a saturação do sistema de saúde impediu que tivessem acesso a serviços de apoio ou assessoria sobre saúde reprodutiva.

"As meninas grávidas carregam a culpa e a desonra. São negadas oportunidade de avançar e de conseguir que a gravidez precoce não seja algo que marque suas vidas para sempre", acrescentou Mahtani.

Em 2004, acabada a guerra civil, a Comissão da Verdade e Reconciliação recomendou ao governo que eliminasse a proibição e permitisse que as meninas grávidas pudessem ir à escola por considerar que era uma prática "discriminatória e arcaica", mas nunca aconteceu.

No final de outubro foi iniciado um programa educativo para meninas grávidas que durará até julho de 2016 e cujo objetivo é conseguir que não se fiquem atrás respeito ao resto de companheiros, embora specialistas locais o criticaram porque estigmatiza às meninas.

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EFE   
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