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Sequestrador de ônibus na Itália queria 'impacto mundial'

Ousseynou Sy incendiou veículo para protestar por migrantes

22 mar 2019
14h53
atualizado às 15h20
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O ítalo-senegalês Ousseynou Sy, autor do sequestro e incêndio de um ônibus escolar com mais de 50 estudantes em San Donato Milanese, no norte da Itália, queria realizar uma ação de impacto "internacional".

Graças à rapidez da polícia, sequestro de ônibus escolar não teve ninguém ferido
Graças à rapidez da polícia, sequestro de ônibus escolar não teve ninguém ferido
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Sy, 47 anos, prestou depoimento em uma audiência de custódia nesta sexta-feira (22), na penitenciária de San Vittore, em Milão. Segundo seu advogado, Davide Lacchini, ele confirmou que o ataque foi uma "reivindicação" contra as mortes de crianças migrantes no Mediterrâneo, mas garantiu que não pretendia fazer mal a ninguém.

O ítalo-senegalês disse que o ônibus pegou fogo de maneira "acidental", embora vários adolescentes tenham relatado que ele derrubara gasolina no veículo e ameaçara incendiá-lo. "Meu cliente louvou a política migratória italiana, porque é o único país, segundo ele, que salva vidas e gasta milhões de euros nisso", declarou Lacchini.

Para o defensor, a mensagem que Sy queria passar era de que "os africanos não devem vir à Europa". "Ele não queria uma ação de impacto nacional, mas sim internacional", acrescentou. No depoimento, o agressor criticou a "exploração econômica da África pela Europa" e garantiu que pretendia levar o ônibus para o Aeroporto de Linate e pegar um avião de volta para Senegal.

Sy continua em prisão preventiva e foi transferido para uma ala separada na cadeia após ter sido alvo de protestos dos outros detentos. Seu advogado diz que ele demonstrou "sinais de desequilíbrio" e sugeriu a realização de uma perícia psiquiátrica.

Sequestro

Ousseynou Sy levava os jovens de volta a uma escola de Crema, a 50 quilômetros de Milão, após uma atividade externa. Perto de San Donato Milanese, ele mudou a rota e disse aos 51 estudantes a bordo que iria para o Aeroporto de Linate.

Ele confiscou os celulares dos jovens, mas um deles, Ramy Shehata, 13 anos, filho de um imigrante egípcio, conseguiu esconder seu aparelho e avisar a polícia.

O agressor tentou furar um bloqueio da Arma dos Carabineiros, mas perdeu o controle do ônibus, que se chocou contra uma mureta. Sy então espalhou gasolina pelo veículo e o incendiou, porém os policiais conseguiram retirar todos os passageiros em segurança. O sequestro durou pouco menos de 40 minutos.

Cidadão italiano desde 2004, ele tinha antecedentes penais por dirigir embriagado (2007) e assédio sexual contra uma adolescente (2011).

Ansa - Brasil   
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