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Senado da Itália cobra cidadania para pesquisador egípcio preso

Patrick Zaki é estudante da Universidade de Bolonha

14 abr 2021
09h17 atualizado às 09h23
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09h17 atualizado às 09h23
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O Senado da Itália aprovou nesta terça-feira (14) uma moção que pede para o governo conceder cidadania ao pesquisador egípcio Patrick Zaki, estudante da Universidade de Bolonha que está preso em seu país de origem há mais de um ano.

Manifesto em defesa do pesquisador egípcio Patrick Zaki em Turim, norte da Itália
Manifesto em defesa do pesquisador egípcio Patrick Zaki em Turim, norte da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O texto foi aprovado por um placar de 208 a zero, além de 33 abstenções, a maioria delas de senadores do partido de ultradireita Irmãos da Itália (FdI). A moção ainda pede para governo monitorar as audiências e as condições prisionais de Zaki e acionar as autoridades do Egito para obter a libertação do pesquisador.

O estudante foi preso em 8 de fevereiro de 2020, após voltar ao Egito para um período de férias, sob a acusação de "propaganda subversiva". Além da Universidade de Bolonha, uma das mais prestigiosas da Itália, Zaki é pesquisador da Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR), organização egípcia de defesa dos direitos humanos.

Ele é acusado de publicar "notícias falsas" para "perturbar a paz social" e de ter "incitado protestos contra as autoridades públicas". "A cidadania honorária a Patrick Zaki não é apenas um fato simbólico, mas também um instrumento para dar mais força às instituições italianas ao pedir sua libertação", disse a senadora de centro-esquerda Laura Garavini.

Até a senadora vitalícia Liliana Segre, de 90 anos, que raramente participa das votações na Câmara Alta, marcou presença nesta quarta-feira. "Existe algo na história de Zaki que me pega de modo particular, que é o fato de que ele é um inocente preso. Eu senti isso e estarei sempre presente quando se fala de liberdade", declarou Segre, sobrevivente de Auschwitz.

O caso ganhou bastante destaque na Itália também por remeter à morte de Giulio Regeni, pesquisador italiano sequestrado, torturado e assassinado no Cairo em janeiro de 2016. Regeni frequentava sindicatos clandestinos e contrários ao regime do presidente Abdel Fattah al-Sisi, o que levantou a hipótese de crime político.

Em janeiro passado, o Ministério Público de Roma denunciou quatro agentes dos serviços secretos do Egito pela morte do pesquisador.

Ansa - Brasil   
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