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Sem volta após a política de "Covid zero": China tem dificuldade para encontrar alternativas de combate à Covid-19

27 jan 2022 15h39
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A postura chinesa de "Covid zero" colocou o país em discordância com o resto do planeta e está cobrando um preço econômico cada vez maior, mas uma possível mudança de estratégia permanece inatingível enquanto as autoridades se preocupam com a capacidade do sistema de saúde de lidar e se adaptar às novas variantes.

Especialistas médicos chineses acreditavam no ano passado que as altas taxas de vacinação eventualmente permitiriam que a China atenuasse suas duras regras em relação a deslocamentos e testagens, enquanto as taxas de infecção desaceleram pelo planeta.

A emergência da variante altamente transmissível Ômicron frustrou essas esperanças.

Embora alguns analistas considerem a abordagem chinesa como "insustentável", muitos especialistas sanitários --e alguns de outros países-- dizem que o país não tem escolha senão continuar, dado seu sistema de saúde menos desenvolvido.

Alguns argumentam que a economia chinesa pode até emergir mais forte da crise se mantiver a Ômicron sob controle.

"Para um país grande, com uma população de 1,4 bilhão, o que precisa ser dito é que a efetividade de custo da prevenção e controle do nosso país tem sido extremamente alta", disse Liang Wannian, diretor do grupo de especialistas de prevenção epidêmica da Comissão Nacional de Saúde da China, em um briefing no sábado.

Kristalina Georgieva, diretora administrativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), convocou a China na semana passada a "reavaliar" sua abordagem, dizendo que ela agora havia se tornado um "fardo" sobre as economias chinesa e global.

Mas a China está preocupada de que o custo de abaixar suas defesas possa se mostrar ainda mais alto, especialmente para um sistema de saúde que ainda não se desenvolveu amplamente.

"Com uma população grande e de alta densidade, o governo com razão está preocupado com os impactos da propagação do vírus", afirmou Jaya Dantas, professora de Saúde Internacional da Escola Curtin de Saúde Populacional em Perth, na Austrália.

A China tinha 4,7 milhões de enfermeiros registrados no final de 2020, ou 3,35 por cada mil pessoas, como mostram dados oficiais. Os Estados Unidos têm cerca de 3 milhões, cerca de 9 por cada mil habitantes.

A China também está preocupada com o risco de novas variantes, especialmente por se recusar a importar vacinas estrangeiras. Estudos sugerem que as vacinas chinesas são menos eficientes contra a Ômicron, e o país ainda não iniciou a vacinação com sua própria versão do imunizante com tecnologia de RNA mensageiro.

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