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Salvini usa 'métodos fascistas', diz ministro de Luxemburgo

Jean Asselborn voltou a criticar o vice-premier italiano

16 set 2018
13h33
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O ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, afirmou neste domingo (16) que o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, usa "métodos e tons dos fascistas dos anos 1930".

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, visita ocupação de imigrantes na província de Macerata
O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, visita ocupação de imigrantes na província de Macerata
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração, dada à revista alemã "Der Spiegel", se segue a uma discussão entre os dois sobre a crise migratória na União Europeia na última sexta-feira (14), em Viena, Áustria.

Na ocasião, Salvini criticava a ideia de que a imigração possa ser usada para compensar a falta de força de trabalho nos países ricos, alegando que sua nação não precisa de "novos escravos para suplantar" a queda da taxa de natalidade entre os italianos.

Em determinado momento, Asselborn o interrompe e lembra dos italianos que foram para Luxemburgo em meados do século 20. "Luxemburgo recebeu milhares de italianos que vieram trabalhar conosco. Eram migrantes que trabalharam até que vocês, na Itália, pudessem ter dinheiro para seus filhos", disse o chanceler.

Na entrevista à "Spiegel", o luxemburguês afirmou que Salvini fez uma "provocação calculada" e que o vídeo da discussão foi gravado sem que ele soubesse. "Salvini usa métodos e tons dos fascistas dos anos 1930", declarou Asselborn, acrescentando que colaboradores do ministro italiano se colocam em locais "estratégicos" para gravar tudo o que ele fala.

Salvini usou suas redes sociais para rebater o luxemburguês. "Nenhum fascismo, apenas respeito às regras. Se gosta tanto de imigrantes, que Luxemburgo acolha todos, a Itália já recebeu demais", declarou.

Em termos proporcionais, no entanto, Luxemburgo acolhe tantos deslocados internacionais quanto a Itália. Segundo o último relatório da agência das Nações Unidas para refugiados (Acnur), o pequeno país do norte da Europa abriga 3.541 pessoas que buscam ou conseguiram proteção internacional, o que equivale a 0,59% de sua população de 590,6 mil habitantes.

A Itália acolhe 100 vezes mais, cerca de 354 mil, mas também tem uma população muito maior, de 60,6 milhões de pessoas, o que faz a proporção ser de 0,58%. Nos últimos anos, a península recebeu centenas de milhares de migrantes forçados via Mediterrâneo, porém boa parte deles se deslocou para o norte da Europa, a países como Alemanha, Suécia e Áustria.

Ansa - Brasil   
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