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'Salvini é meu herói', diz primeiro-ministro da Hungria

Os dois líderes se encontraram em Milão, nesta terça-feira

28 ago 2018
15h09
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O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, recebeu nesta terça-feira (28), em Milão, o premier da Hungria, Viktor Orbán, em mais um passo para tentar criar uma aliança dos soberanistas na União Europeia.

Viktor Orbán cumprimenta Matteo Salvini em Milão
Viktor Orbán cumprimenta Matteo Salvini em Milão
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O encontro aconteceu em meio ao endurecimento das políticas migratórias italianas, capitaneado por Salvini, que proibiu navios de ONGs que operam no Mediterrâneo de levar migrantes para os portos do país.

"Queria conhecê-lo pessoalmente. Ele é meu herói", afirmou Orbán, que governa a Hungria desde maio de 2010 e é acompanhado de perto por Bruxelas, devido a suas ações para reduzir a independência do Judiciário e da imprensa. Além disso, o país aprovou a prisão automática de migrantes que entrarem em seu território.

A reunião, que não teve caráter oficial, durou cerca de uma hora e, segundo Salvini, foi marcada por uma "discussão longa e construtiva". "Estamos perto de uma reviravolta histórica para o futuro da Europa. Hoje começa um percurso de encontros", afirmou o ministro, já de olho nas eleições europeias de 2019, quando os soberanistas tentarão se unir para conquistar Bruxelas.

Orbán, por sua vez, incitou Salvini a "não recuar" na batalha contra os migrantes. "Daremos toda a ajuda possível para a defesa das fronteiras", ressaltou o premier húngaro.

O ministro do Interior tenta forçar a União Europeia a dividir com a Itália o peso do primeiro acolhimento aos deslocados internacionais resgatados no mar, mas se aliou justamente ao país que mais tem travado os programas de redistribuição do bloco.

De acordo com o último relatório da agência da ONU para refugiados (Acnur), a Hungria acolhe apenas 5,7 mil deslocados internacionais, menos de um décimo dos 167,3 mil abrigados em solo italiano. Essa cifra corresponde a 0,06% da população húngara, índice que é de 0,58% no caso italiano.

"Bruxelas diz, assim como alemães, franceses e espanhóis, que sua política consiste em gerir a migração da melhor maneira possível. Nós, do campo oposto, dizemos que o objetivo não é gerir a migração, mas interrompê-la. Eu e Salvini somos da mesma posição", declarou Orbán.

Durante o encontro, algumas milhares de pessoas se reuniram em uma praça de Milão para protestar em defesa de uma "Europa sem muros". O ato também teve a presença de refugiados, que levavam cartazes com a frase "Salvini, ministro do Inferno".

Ansa - Brasil   
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