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Rússia manterá sigilo sobre morte de 14 em submarino

"Esta informação não pode se tornar pública em sua totalidade. Está na categoria sigilo de Estado", afirmou o porta-voz de Kremlin

3 jul 2019
14h14
atualizado às 14h16
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MOSCOU - Os detalhes do incêndio que provocou que 14 mortes na segunda-feira em um submarino de pesquisas da Marinha não serão divulgados ao público por sigilo de Estado, anunciou nesta quarta-feira, 3, a Rússia.

"Esta informação não pode se tornar pública em sua totalidade. Está na categoria sigilo de Estado", afirmou o porta-voz de Kremlin, Dmitri Peskov, que considera a decisão "perfeitamente normal". "O Estado-Maior das Forças Armadas russas dispõe de uma informação completa sobre a tragédia", completou.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin 20/06/2019 REUTERS/Shamil Zhumatov
Presidente da Rússia, Vladimir Putin 20/06/2019 REUTERS/Shamil Zhumatov
Foto: Reuters

Quatorze marinheiros, entre eles sete capitães de primeiro escalão (o grau mais elevado dos oficiais de navegação) morreram na segunda-feira intoxicados pela fumaça provocada por um incêndio em um misterioso submarino destinado, segundo a versão oficial, ao estudo do fundo dos oceanos.

A tragédia só foi divulgada na terça e as informações fornecidas foram limitadas. O próprio presidente russo, Vladimir Putin, confirmou que se trata de um submarino "incomum".

De acordo com a imprensa russa o incêndio pode ter acontecido no submarino nuclear "AS-12", conhecido como "Locharik", concebido para pesquisas e operações especiais a grande profundidade.

Ainda segundo a imprensa local, a presença de vários oficiais a bordo sugere que o submarino não estava em uma missão comum.

Sobreviventes

Parte da tripulação do submarino acidentado conseguiu se salvar, confirmou nesta quarta-feira o ministro da Defesa russo, Serguei Choigu, durante reunião com a comissão que investiga o incêndio.

"Morreram 14 membros da tripulação, o restante se salvou", disse Choigu sem especificar o número de sobreviventes. O ministro russo acrescentou que a bordo do submarino da Frota do Mar do Norte estava também um especialista civil que "foi o primeiro a ser retirado".

O aparelho submersível, projetado para pesquisa, resgate e operações especiais, pode transportar até 25 tripulantes.

Citado pela agência de notícias "Interfax", Choigu destacou que os marinheiros mortos no incidente apagaram o fogo "à custa das suas próprias vidas", mas conseguiram "salvar seus companheiros e o veículo das águas profundas".

Putin já ordenou investigações completa para elucidar o que classificou de "tragédia". O presidente russo encarregou Shoigu de viajar a Severomorsk, uma área militar de acesso muito restrito no Ártico, para comandar a investigação.

Este incidente lembra a tragédia do submarino nuclear Kursk, joia da frota russa, que afundou com 118 tripulantes a bordo em 12 de agosto de 2000, no início do primeiro mandato de Putin.

O Kursk sofreu a explosão de um de seus torpedos, o que desencadeou a destruição de todo o depósito de munições e fez o aparelho descer a 110 metros de profundidade.

Apesar de 23 tripulantes terem sobrevivido por vários dias depois da explosão, eles morreram por não terem sido resgatados a tempo. / AFP e EFE

Estadão
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