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Revelado mistério da morte de centenas de elefantes em Botsuana

Toxinas produzidas por algas em bolsões de água causaram 330 mortes de elefantes em Botsuana no início deste ano.

21 set 2020
15h35
atualizado às 15h58
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Toxinas produzidas por algas microscópicas na água causaram a morte, até então inexplicada, de centenas de elefantes em Botsuana, segundo fontes oficiais.

Dezenas de elefantes apareceram mortos em Botsuana neste ano
Dezenas de elefantes apareceram mortos em Botsuana neste ano
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Botsuana é o lar de um terço da população de elefantes da África.

O alarme foi disparado quando carcaças de elefantes foram localizadas no Delta do Okavango, entre maio e junho.

As autoridades dizem que agora sabem que um total de 330 elefantes morreram por ingestão de cianobactérias. A caça foi descartada como causa de morte.

A cianobactéria é uma bactéria tóxica que pode surgir naturalmente em água parada e, às vezes, crescer em grandes flores - também são conhecidas como algas verde-azuladas.

Cientistas alertam que a mudança climática pode estar tornando esses incidentes — conhecidos como florações tóxicas — mais comuns porque favorecem o aquecimento da água.

Alerta: imagens a seguir podem ser consideradas perturbadoras por algumas pessoas

A descoberta foi feita após meses de testes em laboratórios especializados na África do Sul, Canadá, Zimbábue e Estados Unidos.

Muitos dos elefantes mortos foram encontrados perto de bolsões d'água, mas até agora as autoridades ambientais duvidavam que a culpa fosse da bactéria porque as flores aparecem nas bordas dos lagos e os elefantes tendem a beber no meio.

"Nossos últimos testes detectaram que neurotoxinas de cianobacterianas são a causa das mortes. Essas bactérias são encontradas na água", disse o veterinário-chefe do Departamento de Vida Selvagem e Parques Nacionais, Mmadi Reuben, em entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira (21/09).

As mortes "pararam no final de junho de 2020, coincidindo com a secagem dos bolsões (de água)", disse ele à agência AFP.

Relatórios de junho observaram que as presas dos animais não foram retiradas, o que significa que a caça ilegal não era uma explicação provável.

O envenenamento por antraz também foi descartado, de acordo com Cyril Taolo, alto funcionário do departamento ambiental.

Mas ainda restam dúvidas sobre as mortes, disse Reuben a jornalistas.

"Ainda temos muitas perguntas a serem respondidas. Uma delas é por que apenas os elefantes e por que apenas naquela área. Temos uma série de hipóteses que estamos investigando."

Centenas de carcaças foram localizadas com a ajuda sobrevoos feitos no início deste ano.

Niall McCann, da organização de caridade britânica National Park Rescue, disse anteriormente à BBC que os conservacionistas locais alertaram o governo no início de maio, depois de fazer imagens do delta.

Conjunto de fotos de elefantes que morreram em maio e junho deste ano
Conjunto de fotos de elefantes que morreram em maio e junho deste ano
Foto: Reuters / BBC News Brasil

"Eles localizaram 169 (animais mortos) em um voo de três horas", disse. "Ser capaz de ver e contar tantos em um voo de três horas foi muito fora do comum."

Vinte e cinco elefantes morreram recentemente em um grupo no vizinho Zimbábue. Amostras para testes foram enviadas ao Reino Unido para análise.

O que é cianobactéria?

— As cianobactérias, também conhecidas como algas verde-azuladas, são encontradas em todo o mundo, especialmente em águas calmas e ricas em nutrientes

— Algumas espécies de cianobactérias produzem toxinas que afetam animais e humanos

— As pessoas podem ser expostas a toxinas de cianobactérias ao beber ou tomar banho em água contaminada

— Os sintomas incluem irritação da pele, cólicas estomacais, vômitos, náuseas, diarreia, febre, dor de garganta, dor de cabeça

— Animais, pássaros e peixes também podem ser envenenados por altos níveis de cianobactérias produtoras de toxinas.

Fonte: OMS

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