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Resignados com retomada de acordo nuclear, países do Golfo se aproximam do Irã

9 jun 2021 09h59
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A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, resignados com a retomada de um acordo nuclear com o Irã ao qual sempre se opuseram, estão se engajando com Teerã para conter as tensões e ao mesmo tempo manobrando rumo a conversas futuras para que suas questões de segurança sejam levadas em conta.

Bandeira do Irã em Viena
23/05/2021 REUTERS/Leonhard Foeger
Bandeira do Irã em Viena 23/05/2021 REUTERS/Leonhard Foeger
Foto: Reuters

Potências mundiais negociam com o Irã e os Estados Unidos em Viena para ressuscitar o acordo de 2015, segundo o qual Teerã concordou com restrições ao seu programa nuclear em troca da suspensão de sanções internacionais.

O novo governo do presidente dos EUA, Joe Biden, quer restaurar o pacto, que Washington abandonou durante a gestão de seu antecessor, Donald Trump. Mas os aliados norte-americanos no Golfo Pérsico sempre disseram que o acordo é inadequado por ignorar outras questões, como as exportações de mísseis do Irã e o apoio do país a combatentes regionais que lutam em seu nome.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, deixou claro na segunda-feira que a prioridade de Washington é fazer o acordo "voltar aos trilhos" e depois usá-lo como uma plataforma para abordar outras questões.

Mas como a Arábia Saudita está envolvida em uma guerra custosa no Iêmen e sendo alvo constante de ataques de mísseis e drones à sua infraestrutura de petróleo que atribui ao Irã e seus aliados, os Estados do Golfo Pérsico dizem que os temas mais amplos não devem ser deixados de lado.

"Os países do Golfo Pérsico dizem 'tudo bem, os EUA podem voltar (ao acordo nuclear), esta é sua decisão, não podemos mudá-la, mas... precisamos que todos levem em conta questões de segurança regional'", disse Abdulaziz Sager, do Centro de Pesquisa do Golfo Pérsico, que atuou ativamente em diálogos sauditas-iranianos extraoficiais anteriores, nesta semana.

Autoridades do Golfo temem não ter a mesma influência no governo Biden que tinham na gestão Trump. Elas fizeram lobby para integrar as conversas de Viena, mas foram rejeitadas.

Ao invés de esperar o desfecho em Viena, em abril Riad acolheu acenos do Iraque para sediar conversas entre autoridades sauditas e iranianas, disseram duas fontes a par do assunto.

Enquanto os inimigos se medem, Riad diz que quer ver "atos verificáveis".

O Irã tem várias cartas na mão, entre elas seu apoio ao movimento houthi do Iêmen, que os sauditas não conseguem derrotar depois de seis anos de uma guerra que esgotou a paciência de Washington.

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