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Protesto contra 'Decreto Salvini' reúne milhares na Itália

Maioria dos manifestantes era imigrantes africanos

16 dez 2018
09h50
atualizado às 13h02
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Milhares de pessoas tomaram às ruas de diversas cidades da Itália neste sábado (15) para protestar contra o endurecimento da política migratória proposto no decreto elaborado pelo vice-premier e ministro do Interior, Matteo Salvini. A manifestação reuniu principalmente imigrantes africanos, que carregavam cartazes com o slogan: "Não somos criminosos, somos escravos". Os protestantes ainda usaram a música do cantor jamaicano Bob Marley, "Get up, stand up", para embalar o ato. O protesto foi organizado pelo sindicato USB, pelo partido Poder ao Povo, além de outros grupos. A maioria dos manifestantes vestia coletes amarelos, os mesmos utilizados pelo movimento "gilets jaunes" na França, que luta contra as políticas do presidente Emmanuel Macron. O ato pacífico tinha o objetivo de dizer que imigração não é criminalidade, além de ressaltar a importância do governo italiano não tratar os migrantes como seres "invisíveis", porque só assim poderão conseguir emprego.
    Em sua conta no Twitter, Salvini rebateu às críticas. "Foram reduzidos em mais de 100 mil o número de imigrantes desembarcados [na Itália]. Alguns ficam nervosos porque perderam dinheiro", escreveu. "Podem organizar todas as manifestações que queiram com bandeiras vermelhas e imigrantes clandestinos. Eu penso antes nos italianos. Sigo em frente", acrescentou.
    O chamado "Decreto Salvini" foi aprovado pelo Parlamento da Itália no mês passado e restringe a concessão de proteção humanitária no país para requerentes de asilo, muda algumas regras relativas ao reconhecimento de cidadania, além de ter iniciativas para reforçar a segurança do país e combater a máfia. O Decreto O projeto abole a chamada "proteção humanitária", uma das três formas de tutela garantidas a estrangeiros na Itália, ao lado do refúgio e da proteção subsidiária, sendo estas últimas regulamentadas por tratados internacionais.
    O país continuará permitindo a entrada por motivos humanitários, mas somente em algumas situações, como pessoas vítimas de "grave exploração", violência doméstica ou calamidades, que busquem tratamento médico ou que tenham realizado "atos de particular valor cívico".
    O decreto também prevê a suspensão de pedidos de refúgio e a expulsão imediata de deslocados internacionais condenados por violência sexual, lesão agravada ou ultraje a oficial público, ou de migrantes que representem "perigo social".
    A medida ainda aumenta o período máximo de reclusão de pessoas em centros de repatriação de 45 para 90 dias, dificulta o aluguel de furgões e eleva as penas para quem ocupa "abusivamente" edifícios e terrenos, ação voltada sobretudo a coibir acampamentos ciganos.
    Por fim, o "Decreto Salvini" prevê a ampliação do contingente policial em todo o país.

Ansa - Brasil   

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