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Procurado por genocídio em Ruanda está morto há 20 anos

Augustin Bizimana era ministro da Defesa na época do massacre

22 mai 2020
08h31
atualizado às 08h55
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O ex-ministro da Defesa de Ruanda Augustin Bizimana, um dos principais suspeitos de envolvimento no genocídio tutsi no país africano, está morto desde agosto de 2000.

Vigília pelo aniversário de 25 anos do genocídio em Ruanda, em abril de 2019
Vigília pelo aniversário de 25 anos do genocídio em Ruanda, em abril de 2019
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Mecanismo para Tribunais Criminais Internacionais (MICT), corte das Nações Unidas (ONU) responsável por executar as funções dos tribunais relativos a Ruanda e Iugoslávia, cujos mandatos já expiraram.

Em 1998, Bizimana havia sido formalmente acusado pela corte internacional da ONU para Ruanda por genocídio, homicídio, estupro e tortura durante o massacre que dizimou entre 800 mil e 1 milhão de pessoas, a maioria delas tutsis, em 1994.

O genocídio foi conduzido por extremistas hutus, a etnia majoritária em Ruanda. Segundo a ONU, uma investigação concluiu que restos mortais encontrados em um túmulo em Pointe-Noire, na República do Congo, pertencem a Bizimana, um dos principais expoentes do governo genocida.

O anúncio chega seis dias depois da prisão em Paris, na França, de um dos últimos suspeitos foragidos, Félicien Kabuga, acusado de ter criado a milícia hutu Interahamwe, principal autora material do genocídio.

História

O ódio étnico em Ruanda já vinha sendo insuflado desde que a Bélgica assumira o controle do então protetorado alemão, durante a Primeira Guerra Mundial. Inicialmente, os europeus apoiaram a elite tutsi que comandava a região.

Depois, na década de 1950, passaram a sustentar os oprimidos hutus, a quem ajudaram a tomar o controle de Ruanda e a implantar um sistema segregacionista contra seus rivais. Ao se retirar do território, em 1962, ano da independência ruandesa, a Bélgica deixou um caldeirão pronto para explodir a qualquer momento. Sob o comando do presidente Juvénal Habyarimana, no poder a partir de 1973, os hutus perseguiram os tutsis durante as décadas seguintes, promovendo matanças esporádicas ao longo do tempo.

Até que, em 6 de abril de 1994, o avião de Habyarimana sofreu um atentado enquanto sobrevoava Kigali, e o Poder Hutu, grupo radical que pregava o extermínio da outra etnia, tomou seu lugar. A partir daí, o que se viu foi uma carnificina sem precedentes, sob o olhar conivente da comunidade internacional e a impotência das Nações Unidas.

O massacre só terminou em julho do mesmo ano, graças ao avanço da Frente Patriótica Ruandesa, guerrilha tutsi que tinha Paul Kagame como um de seus líderes. Foram entre 800 mil e 1 milhão de mortos em apenas três meses, em um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes.

Kagame assumiu a Presidência em 2000 e, desde então, não deu sinais de que pretende deixar o cargo.

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