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Mundo

Presidente do México divulga telefone de jornalista após não gostar de reportagem

Segundo Obrador, reportagem publicada pelo The New York Times o vinculava ao crime organizado sem provas

25 fev 2024 - 11h59
(atualizado às 12h14)
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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (Imagem de arquivo)
O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (Imagem de arquivo)
Foto: REUTERS/Henry Romero

Andrés Manuel López Obrador, presidente do México, vazou o número de telefone de uma jornalista do The New York Times, alegando que o veículo publicou uma reportagem sobre supostos vínculos de pessoas próximas a ele com narcotraficantes. Na última sexta-feira, 23, ele se justificou, mas não pediu desculpas.

Segundo informações da agência de notícias France Presse, Obrador entregou o número de telefone da jornalista durante uma coletiva de imprensa, no momento em que lia um questionário enviado a ele pelo jornal com perguntas. O caso passou a ser investigado pela entidade que é encarregada de proteger dados. Tanto o  jornal quanto entidades de defesa de liberdade de imprensa criticaram López Obrador.

O presidente não se desculpou e disse que não pode haver nenhuma lei, como a que proíbe a divulgação de dados de uma pessoa, acima do princípio da liberdade.

"O que acontece quando essa jornalista está me caluniando? Ela está vinculando a mim e minha família [com o crime organizado] sem provas", disse López Obrador. Ele também afirmou que um setor da imprensa serve a interesses privados.

Reação

Na quinta-feira, 22, o The New York Times afirmou que o vazamento é uma "tática preocupante e inaceitável em um momento em que as ameaças contra os jornalistas são crescentes".

O presidente mexicano disse “explicitamente hoje que as leis no país não se aplicam a ele, que a violação delas por parte dele é intencional e que não se importa com as consequências para o exercício dos direitos fundamentais", escreveu no X (antigo Twitter) Jan-Albert Hootsen, representante no México do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

O porta-voz do Repórter Sem Fronteiras (RSF), Milenio Balbina Flores, disse que Obrador "deveria se desculpar com a jornalista", depois de classificar o episódio como uma represália.

A reportagem

A reportagem, de acordo com o Times, teria como base uma pesquisa de funcionários americanos que "descobriu informações que apontavam possíveis vínculos entre operadores dos cartéis e funcionários e assessores próximos" a López Obrador antes de ele se tornar presidente e já no poder, ainda de acordo com a France Presse.

Entretanto, afirma-se que os Estados Unidos não abriram uma investigação formal sobre o presidente mexicano, e os funcionários que estavam envolvidos na pesquisa, arquivaram a investigação.

Fonte: Redação Terra
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